15/04/19

Elísio Estanque: “Há um défice de consciência social”

A edição do Alvorada de hoje, contou com o comentário à atualidade por parte do professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), Elísio Estanque.

Já é conhecido o programa de comemorações dos 50 anos da Crise Académica. Na passada sexta-feira, dia 12, a lista de eventos agendados foi apresentada pelos representantes dos organismos responsáveis pela organização das festividades, nomeadamente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), da Universidade de Coimbra (UC), da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), da Fundação Inatel e do Turismo do Centro. A série de ações comemorativas vai ser realizada ao longo dos próximos meses, sendo o último evento o Cortejo da Festa das latas e Imposição de Insígnias, agendado para o dia 6 de Outubro. As atividades do programa de comemorações dos 50 anos da Crise Académica vão ser inauguradas amanhã com um concerto “A Herança do Andarilho”, da banda UHF em tributo a José Afonso, a ter lugar no Convento São Francisco. O professor da FEUC, Elísio Estanque salientou a capacidade da geração que protagonizou a Crise Académica de 69 de se mobilizar e resistir, e recordou que os atos reivindicativos em Portugal estão alinhadas com outras rebeliões que decorreram ao longo das décadas de 50 e 60 em diversos pontos do globo. Na perspetiva do docente, as comemorações da Crise Académica deveriam ser, no fundo, um ato de sensibilização.

Ao fazer uma análise comparativa entre os estudantes que protagonizaram os acontecimentos de 69 (e dos anos que seguiram) e a geração estudantil atual, Elísio Estanque apontou para as tendências de massificação e individualismo, e acusou o défice de consciência social.

A noção de inconformismo ocupa o lugar central na Crise Académica de 69, e em particular num dos seus atos mais emblemáticos – “Peço a palavra” – quando em 17 de abril de 1969, na inauguração do edifício das Matemáticas, perante uma comitiva do Estado Novo, encabeçada pelo na altura presidente Américo Thomaz, Alberto Martins afirmou: “Em representação dos estudantes da Universidade de Coimbra, peço licença a vossa excelência para falar nesta sessão”. Inconformismo foi também o termo central no mote da primeira edição do TEDxUniversidade de Coimbra organizada pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade de Coimbra em colaboração com estudantes das várias faculdades, numa parceria com a Académica Start UC, no passado dia 13 de abril. Ainda, um outro ato de manifestação de inconformismo tem sido acompanhado pela Rádio Universidade de Coimbra (RUC) no caso de um estudante da UC que iniciou uma greve a aulas e avaliações, e que colocou a circular um manifesto com o título “a Educação não é só para meninos”. Quanto ao caso do estudante revoltado, Elísio Estanque, considera que é um tema que merece alguma reflexão, já que o conteúdo do manifesto “é interessante”. Do ponto de vista do professor da FEUC, este tipo de reivindicações não tem hipótese de sucesso conduzidas individualmente, mas admite que a mobilização dos estudantes atuais constitui um problema.

Uma das principais diferenças entre as experiências da geração dos anos 60 e das gerações dos estudantes atuais consta na presença das tecnologias digitais de comunicação que permitem a interação à distância. No entanto, este fator parece não ter um impacto sobre a adesão dos estudantes aos debates dos temas relacionados coma a academia. Para o professor Elísio Estanque, embora haja casos em que as mobilizações das pessoas foram assistidas pelas ferramentas digitais, sem estruturas que orientem as estratégias de massas mobilizadas, o ímpeto inicial não tem a vida longa.

Além do comentário à atualidade, no Alvorada de hoje foi transmitida ainda a mais recente edição da rubrica Foyer.

Ian Ezerin

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