27/03/19

Estudante da UC está há três dias em greve a aulas e avaliações

“A educação não é só para meninos” é o título de um manifesto de 8 páginas que está a circular na Universidade de Coimbra, com epicentro de distribuição na Faculdade de Letras. O texto foi escrito por um estudante que afirma estar a fazer greve às aulas e avaliações até que consiga fazer valer a sua visão sobre, neste caso, o Ensino Superior e a educação pública em Portugal. O manifesto é composto por um texto de 5 páginas e tem como bibliografia um poema de José Mário Branco. Nele o estudante fala de temas como o acesso verdadeiramente livre e gratuito à educação, a dicotomia e incompatibilidade entre educação pública e privada e aquilo que, afirma, é o modelo vigente do utilizador pagador, por oposição aos valores da liberdade, igualdade e fraternidade.

O protesto do estudante à porta da Faculdade de Letras começou na segunda-feira, dia 25 de março. Em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra (RUC), na segunda-feira ao fim do dia, o estudante afirmou que não quer dar o nome porque, para os objetivos do manifesto e da greve, o nome é irrelevante. Apenas se identifica, na presença do microfone da RUC, como estudante da Universidade de Coimbra.

Na entrevista, gravada à porta da Faculdade de Letras, explicou as razões para estar em greve às aulas e avaliações, e para ter escrito o manifesto que está a distribuir. Não é só pelo estado atual da educação que, afirma, “virou um negócio”, mas também pela ausência economicamente forçada de muitos colegas.

O estudante aponta as responsabilidades ao que afirma ser uma engrenagem que perpetua as desigualdades, do pré-escolar ao superior. Afirma ainda que “a liberdade de um está a sobrepor-se à igualdade entre todos”. Às criticas que faz, não escapam os docentes da Universidade de Coimbra.

No caso, não escapam os professores e também não escapam alunos. Na opinião do estudante “só pagamos propinas porque aceitamos pagar”.

A premissa do protesto e do manifesto é, na sua opinião, muito fácil de explicar. É a premissa da democracia.

Sobre os que quer ter a seu lado, o estudante esclarece: gostava de ter todos os que se revêm na mensagem e sentem desgosto por participar do sistema educativo como ele é.

Quem aqui está “não vai sair daqui com currículo, vai sair daqui com cadastro”. Esta é uma das frases que refere com regularidade. O estudante afirma que quer alertar às consciências dos colegas e dos professores para que se lute por mudar o paradigma da educação. O manifesto que escreveu e colocou a circular está acessível na reprografia da faculdade, além de estar na sua posse a todo o momento.

No manifesto são tecidas diversas críticas ao sistema educativo, à ação e discurso dos partidos políticos e também à Associação Académica de Coimbra. O estudante afirma que todos os que participam e permitem que a situação continue são responsáveis.

“As lições do passado, para os estudantes de hoje e os professores de amanhã” é o subtítulo do manifesto. O protesto do estudante à porta da Faculdade de Letras começou na segunda-feira, dia 25 de março, às 9h da manhã e segundo o mesmo vai estender-se indefinidamente, durante o período de aulas.

André Jerónimo

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