24/03/19

Provável aumento de deputados de extrema-direita preocupa candidatos às europeias

Fotografia: Rui Rodrigues

À pergunta do jornalista moderador, José Manuel Portugal, “É preciso salvar a democracia na Europa?”, Marisa Matias, deputada pelo Bloco de Esquerda (BE) no Parlamento Europeu (PE), respondeu de forma afirmativa, pois “não só está em perigo o seu exercício, como os próprios valores democráticos”.

Foi assim que começou o debate de ontem (23), no Hotel Quinta das Lágrimas, sobre as eleições europeias, organizado pelo ciclo de conferências “Há luz ao fundo do túnel?”, que convidou representantes da esquerda e da direita portuguesas em Bruxelas: Marisa Matias, pelo BE, e Nuno Melo, pelo CDS-PP. Ricardo Castanheira, Conselheiro da Representação Permanente de Portugal na União Europeia (UE) completou o painel convidado.

Nuno Melo considera um dos perigos para a democracia o partido conservador de direita húngaro «Fidesz – Única Cívica Húngara», que é membro do Partido Popular Europeu (PPE), suspenso ao abrigo do artigo 9.º dos estatutos da família política de que o CDS-PP também faz parte.

De acordo com o eurodeputado pelo CDS-PP, apesar do papel do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, na luta da Hungria contra o domínio soviético, neste momento, o governante não tem o apoio de Nuno Melo.

Por não permitir a liberdade de imprensa, a separação do poder judicial do político e de, em eleições recentes, ter tido um discurso anti-europeísta, ao tratar dirigentes europeus como adversários políticos, o partido húngaro foi posto “em suspensão sob vigilância” por parte do PPE. Nuno Melo acrescentou ainda um outro perigo europeu, também originário da Hungria, o partido de “extremíssima direita, xenófobo e de inspiração neonazi” «Jobbik – Movimento por uma Hungria Melhor», com 17 por cento dos votos.

Sobre o Brexit, a eurodeputada pelo BE afirmou que se trata de um assunto em que já “se sabe o que o Reino Unido não quer, mas ainda não se sabe o que quer”. Marisa Matias considera importante definir de forma clara o acordo para operacionalizar a saída.

De acordo com a eurodeputada, o BE possui uma ideia europeísta que, neste momento, é de combate ao atual modelo. Marisa Matias referiu também que há uma sintonia entre todos os eurodeputados sobre defender Portugal, embora o façam de modos diferentes.

Quando o debate tocou o tema dos impostos, Nuno Melo defendeu a manutenção do sistema de votação por unanimidade para decisões sobre impostos. O eurodeputado pelo CDS-PP considera o sistema uma garantia de defesa dos Estados mais pequenos, uma questão de equidade e de soberania.

Ricardo Castanheira, Conselheiro da Representação Permanente de Portugal na UE (Reper), explicou que, no caso específico das empresas que faturam através da Internet, a proposta é que os impostos revertam não para o país onde a empresa tem a sede, mas para o país onde se vendeu o produto ou serviço.

O Conselheiro da Representação Permanente de Portugal na UE (Reper) alertou ainda para a necessidade de se respeitarem os tempos de eleições europeias e legislativas, para que não se misturem assuntos e lutas. O nível de abstenção perto dos 70 por cento foi descrito, por Ricardo Castanheira, como demasiado elevado.

Ricardo Castanheira alertou para o perigo das “notícias falsas”, conhecidas por ‘fake news’, que tiveram influência nas eleições presidenciais dos Estados Unidos da América e Brasil. Elas podem aparecer também nestas eleições europeias e podem vir de países que não fazem parte da UE.

As eleições europeias realizam-se no próximo dia 26 de maio. Portugal elege 21 deputados para um novo mandato de cinco anos.

Carolina Cardoso e Rui Rodrigues

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