22/03/19

24 de março comemora a resistência estudantil

“Mais importante que [celebrar] o dia, é o desencadear de todo um processo de luta e resistência pelos estudantes”. Quem o diz é Elísio Estanque, investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. O dia 24 de março marca um conjunto de manifestações que, na década de 60, se multiplicaram por toda a nação, todos eles impulsionados por estudantes.

Em Coimbra, o 17 de abril de 1969 foi a data mais marcante para a revolta estudantil. Após a recusa do então Presidente da República Américo Thomaz em passar a palavra a um estudante, Alberto Martins, durante a inauguração de um anfiteatro no Departamento de Matemática, foi desencadeada uma série de protestos.

De acordo com Elísio Estanque, a “legalização da data” foi um “acontecimento institucional do Parlamento português”, que marcou as lutas da década.

Na década de 60, as revoltas nacionais “não foram vitoriosas de imediato, nem tiveram consequências positivas [no início]”. O aumento da repressão por parte das autoridades e a nomeação de estudantes para lutarem na Guerra Colonial, foram algumas das causas dos protestos.

A “afirmação de uma cultura democrática e a vontade de resistência por parte das novas gerações” foram alguns dos problemas apontados por Elísio Estanque para o desencadear da crise estudantil. Com base em estudos de historiadores, o investigador do CES afirma que o simbolismo da revolta teve influência em outros movimentos, como o golpe militar de 25 de abril.

Elísio Estanque afirma que hoje as revoltas têm uma natureza diferente, devido a um maior acesso ao ensino superior e à existência de uma democracia institucional. Tal aspeto explica a “dificuldade dos estudantes em se mobilizarem por causas políticas”, algo que pode mudar conforme a emergência de novas crises. O investigador acrescentou que a mobilização dos estudantes da Universidade de Coimbra é menor em relação à década de 60.

O dia 24 de março foi promulgado Dia Nacional do Estudante pela Assembleia da República Portuguesa, em 1987.

Ana Laura Simon

4
5
32
0
GMT
GMT
+0000
2019-08-22T05:32:00+00:00
Thu, 22 Aug 2019 05:32:00 +0000