14/03/19

Elísio Estanque: “‘grande parte dos estudantes da UC desconhece as atividades das secções da AAC'”

O Alvorada de hoje (14) contou com a presença de Elísio Estanque, professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e investigador do Centro de Estudos Sociais (CES), para analisar o que se passa em Coimbra, no país e no mundo.

Das onze figuras que compõem a nova equipa reitoral da Universidade de Coimbra (UC), que inclui o reitor Amílcar Falcão, oito vice-reitores e dois pró-reitores, apenas três são mulheres: Cláudia Cavadas, recém-empossada diretora do Instituto de Investigação Interdisciplinar da UC, Cristina Albuquerque e Patrícia Pereira da Silva, a última na equipa pró-reitoral. Para além disto, o segundo mandato de João Gabriel Silva contou com quatro vice-reitores, em contraste com os oito da nova administração.

Elísio Estanque concorda que o número acrescido de elementos da equipa reitoral é sinal dos novos desafios que a UC enfrenta, em particular a internacionalização e a produção científica. O docente da FEUC faz ainda menção à aparente desigualdade de géneros no novo reitorado, e a necessidade de uma política de luta contra a discriminação e o assédio sexual, presente na própria comunidade estudantil.

Um outro aspeto na esfera académica que na opinião de Elísio Estanque merece especial atenção é a aquisição de sentido crítico, cívico e de comunidade por parte dos estudantes da UC, dando o exemplo das boas práticas que existem na Associação Académica de Coimbra (AAC), onde se concilia parte lúdica e didática. No entanto, o investigador do CES indica que a mobilização de mais estudantes para o associativismo depende de todas as partes envolvidas, e refere que uma larga parte dos estudantes de licenciatura da UC desconhece o trabalho das secções culturais e desportivas da AAC.

A Câmara Municipal de Coimbra vai abrir dois concursos públicos a fim de dotar os Bairros da Conchada e da Rosa de melhor eficiência energética, com recurso a candidatura ao programa Centro 2020. Segundo nota no site do município, pretende-se incrementar o isolamento dos edifícios; nota para a implementação, entre outros, de vidros duplos e caixilharias reforçadas, num total de duzentas e cinquenta habitações sujeitas a intervenção. O investimento ronda os 4 milhões de euros.

Questionado se os restantes cidadãos vão compreender e apoiar esta empreitada, tendo em conta que os moradores destes e outros bairros com habitações sociais são muitas vezes alvo de discriminação, em particular por motivações étnicas, Elísio Estanque alude à necessidade de melhorar as condições de vida de todos, sem exceção, e à obrigação em combater estereótipos e preconceitos existentes.

Nos últimos dias registou-se uma polémica que envolve governantes, autarcas e sufrágios. Tudo porque alguns artigos da lei que regula a propaganda eleitoral em período de eleições têm suscitado várias dúvidas. De acordo com a Lei n.º 72-A/2015, “a partir da publicação do decreto que marque a data da eleição” fica “proibida a publicidade institucional por parte dos órgãos do Estado e da Administração Pública de atos, programas, obras ou serviços, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública.”

Acontece que 2019 é marcado pelas Legislativas, agendadas para o final do ano, e pelas Europeias, marcadas para 26 de maio, cuja data oficial foi publicada em Diário da República a 26 de fevereiro. O que está em causa são quais as ações permitidas à classe política. Como alerta Nuno Gonçalves, autarca de Torre de Moncorvo e presidente da Associação de Municípios do Douro Superior, uma interpretação desta lei à letra pode limitar a comunicação entre o poder local e os cidadãos durante oito meses, até a 6 de outubro, dia das Legislativas.

Para Elísio Estanque, estamos a entrar num período pré-ato eleitoral, o que torna difícil definir o que é ou não campanha política. No entanto, adverte para a necessidade de regulação pela Comissão Nacional de Eleições, como é exemplo a existência de momentos próprios para a divulgação política.

No término do programa, Elísio Estanque sintetizou os atuais projetos do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

David Coelho


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