10/03/19

Campanha do PS para as europeias arrancou em Coimbra num “encontro com jovens”

[Atualizada às 14h20 do dia 11 de março]

Foi pelas 18h de ontem (dia 9 de março), em Coimbra, que teve início a pré-campanha eleitoral do Partido Socialista (PS) para as Eleições Europeias de 2019. No evento que se realizou no Café Santa Cruz estiveram presentes os números um e dois da lista do PS, Pedro Marques e Maria Manuel Leitão Marques, ambos ex-ministros, ambos libertos de funções por António Costa para integrar as hostes dos socialistas no Parlamento Europeu. “PS Europeias: encontro de Pedro Marques com jovens” foi o mote para a ação de campanha. A Rádio Universidade de Coimbra (RUC) esteve no local, assistiu à sessão e falou com os protagonistas nos momentos que a antecederam.

O presidente da Concelhia de Coimbra do Partido Socialista, Pedro Coimbra, afirmou que estas eleições e o contacto com jovens, como o proporcionado por aquele evento, são de extrema importância no contexto atual. O afastamento dos eleitores e os movimentos populistas são um alerta para o que considera poder vir a ser uma descaracterização do projeto europeu.

Pedro Coimbra aludiu ainda ao caso da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) afirmando que a Europa que defende “fica mais forte com todos, do que com menos dos que estão hoje”


PEDRO MARQUES: “Mais emprego, menos desigualdades mas sempre com as contas certas”

O ex-ministro das Infraestruturas foi questionado pela RUC sobre a escolha feita entre as obras públicas nacionais e a política europeia. Pedro Marques aproveitou para revisitar aquilo que considera ser o trabalho que deixa feito no desempenho das funções como ministro, e o investimento que deixa destinado ao interior.

A visão do cabeça de lista do PS é de que a distribuição dos fundos europeus pelo território nacional não implica obrigatoriamente uma fatalidade para as zonas do país mais afastadas duas maiores cidades de Portugal continental. O ex-ministro afirmou que “é possível, desde que haja vontade política, realizar investimentos no interior” e deu como exemplo Coimbra onde o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), cujo financiamento foi recentemente aprovado em Bruxelas, beneficia de fundos comunitários possíveis de ser alocados a projetos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Uma grande fatia dos dinheiros necessários às obras públicas no país (a rondar os 85%) acontece através dos fundos europeus. Mesmo assim Pedro Marques esclareceu que o financiamento de algumas infraestruturas aconteceu através do Orçamento de Estado (OE). Em casos como o do IP3, impossível de financiar no quadro comunitário atual pela exclusão de projetos relacionados com vias de circulação rodoviária, e o das Residências Universitárias, em que Coimbra fica apenas atrás de Lisboa nos valores de financiamento, o dinheiro vem do OE, afirmou.

Pedro Marques expressou que “é desejável que os fundos comunitários cheguem a todo território nacional, mas também a nível europeu” acredita ser necessário defender que todo o orçamento europeu sirva à convergência dos países membros da UE.

Pedro Marques resumiu que “um novo contrato social para a Europa é a principal proposta política” do Partido Socialista. Acredita que as estruturas europeias podiam absorver algumas das políticas que o governo introduziu em Portugal durante a legislatura e dá como exemplos concretos as áreas do emprego e da habitação. Diz o ex-ministro, com bastante experiência em negociação de dinheiros com a Europa, que o PS vai lutar por “mais emprego, menos desigualdades mas sempre com as contas certas”

O cabeça de lista do PS comentou ainda o Brexit, a influência dos jovens no debate político e a importância do voto.


MARIA MANUEL LEITÃO MARQUES: “Não há nenhuma boa medida do SIMPLEX que resista a um mau atendimento”

Maria Manuel Leitão Marques explicou até que ponto a sua experiência enquanto ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, e também enquanto criadora do SIMPLEX, traria benefícios à lista a que pertence e a Portugal.

A ex-ministra frisou ainda que quem trabalha com fundos europeus tem que saber trabalhar com transparência para que seja claro por quem e como é utilizado o dinheiro.

A candidata do PS falou ainda da necessidade de clarificar as leis europeias e também da importância de fazer “guidelines” para orientar os funcionários que põem em prática essas leis.

Maria Manuel Leitão Marques referiu também que, aquando do lançamento do Cartão de Cidadão, Empresa Na Hora, Documento Único Automóvel ou Licenciamento Zero, foi feita formação com os funcionários do atendimento. Afirmou ainda que “não há nenhuma boa medida do SIMPLEX que resista a um mau atendimento”.

A ex-ministra declarou que na segunda-feira seguinte, 11 de março, na loja do Cidadão em Coimbra, o governo vai iniciar um projeto piloto que tem o intuito de ajudar as famílias com a questão do óbito.

A deputada do PS deixou uma mensagem aos jovens de Coimbra, pedindo que participem. Afirmou ainda que a política é a “grande oportunidade que nós temos para mudar a vida para melhor”. Lembrou também que Coimbra sempre foi uma cidade inovadora e que é importante ligar-se às empresas e “mostrar mais”.


O ENCONTRO COM OS JOVENS

Usando uma metodologia de participação pouco usual, os jovens adultos, divididos por grupos, colocaram numa folha repleta de post-its mensagens sobre o que consideravam ser as ameaças e as oportunidades da Europa. Uma análise SWOT do espaço comunitário que expressou as preocupações e os anseios dos jovens presentes, comentada no fim pelos dois candidatos.

Às preocupações com a organização de movimentos de extrema-direita e com o surgimento de “candidatos populistas”, Pedro Marques considerou que após a criação do Euro, a economia e a ideologia puseram em causa o Estado Social e, principalmente nos países do Sul, os cidadãos reagiram voltando ao passado e aos nacionalismos. Para os combater, o ex-ministro afirmou ser fundamental melhorar a vida das pessoas e diminuir desigualdades. Em resposta a uma questão lançada por um dos presentes no Café Santa Cruz sobre uma sociedade ocidental cada vez mais individualista, o candidato afirmou que nos últimos 15 anos o modelo económico seguido fomentou o sucesso individual. Ao mesmo tempo afastou as pessoas da vida pública, desvalorizou o bem comum e desvalorizou também os operários em detrimento de outras partes da sociedade.

O ex-ministro das Infraestruturas considerou que se tem que dar atenção a todos melhorando a qualidade de vida para, desta forma, aumentar a natalidade. Afirmou que se deve ”apostar também numa imigração regulada mas uma imigração positiva” de maneira a encarar melhor o desafio da redução da mão de obra, e também do envelhecimento da população europeia. Pedro Marques referiu que não considera a inovação e a digitalização da economia como sendo uma “ameaça” para o emprego porque significa que “produzimos mais com cada recurso humano disponível”.

Maria Manuel Leitão Marques reiterou que é fundamental melhorar a vida das pessoas e que a política serve precisamente para isso. Quem se lembra do que era a Europa antes da Comunidade Económica Europeia (CEE) reconhece a importância que teve esta construção.

A RUC continua a acompanhar as atividades de campanha dos partidos políticos para as eleições europeias.

André Jerónimo, Inês Bernardes, Rui Rodrigues e Tom Barth

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