3/03/19

Semearrelvinhas recebeu políticos e amigos para celebrar 44º aniversário

Alexandre Sobral, Francisco Paz, Francisco Queirós, Fernando Abel, Jorge Vilas, Abílio Hernandez e José Bandeirinha

O programa de aniversário decorreu durante todo o dia, com provas desportivas e um almoço. A receção aos convidados teve lugar na sede da cooperativa, um edifício que já foi oficina metalomecânica, pelas 18 horas. Adquirido com a ajuda do Município de Coimbra foi reabilitado o ano passado com um projeto do arquiteto João Mendes Ribeiro. A Associação de Moradores da Relvinha celebrou ontem o seu 44º aniversário. Não faltou a voz de José Afonso.

O Bairro da Relvinha situado na saída norte de Coimbra é um lugar de comunidade e de “luta”. O complexo habitacional nasceu depois do 25 de Abril, com o Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL). Os moradores meteram mãos à obra e em conjunto com arquitetos, estudantes e amigos de várias nacionalidades transformaram as casas de madeira em que viviam, sem condições de habitabilidade, em vivendas familiares. O complexo é constituído ainda por blocos de apartamentos.

O presidente da Semearrelvinhas, Jorge Vilas, persistiu na ideia de que a Relvinha é um símbolo “da luta que não pode acabar”.

Fernando Abel, presidente da União de Freguesias de Eiras e de São Paulo de Frades, realçou a importância da mobilização dos habitantes e da direção da cooperativa, constituída na maioria por mulheres. Presença habitual nas comemorações, desta vez instigou os homens do bairro a serem mais interventivos.

O vereador responsável pela habitação social na Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Francisco Queirós, assinalou a importância da história dos habitantes do bairro que pugnaram pelo direito à habitação. Direito que está consignado no artigo 65 da Constituição portuguesa, mas que segundo o vereador ainda está em “muito, por fazer”. Francisco Queirós continua a tentar ajudar para acontecer o que falta.

Francisco Paz, diretor de serviço na CMC, representou a vereadora da cultura da CMC, Carina Gomes. Abílio Hernandez, presidente da Coimbra-Capital Nacional da Cultura 2003, acarinhou então o projeto “Relvinha.CBR_X”. Ontem, fez questão de marcar presença. Coordenado pela associação cívica Pro-Urbe o espaço sede da Semearrelvinhas foi ocupado então e lá se desenvolveram atividades de intervenção cultural.

Alexandre Sobral, filho de Sobral Martins, docente na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que ajudou na parte legal da constituição da cooperativa, foi um dos convidados. Fez questão de dizer ter aceitado o convite por a Relvinha ser uma “casa de memória”. Recordou o tempo de miúdo em que, com cerca de sete anos, não podia dizer onde estava o pai porque era permanente a presença de dois elementos da polícia política do Estado Novo junto aos muros da casa.

Carlos Encarnação, ex-presidente da CMC e José Manuel Pureza, atual vice-presidente da Assembleia da República enviaram mensagens de felicitação. “Lutar pela Relvinha é também lutar pela cidade”, concluiu o arquiteto José Bandeirinha, amigo de sempre da comunidade.

Isabel Simões

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