28/02/19

IP promete Metro Bus para 2022 com Coimbra-B a centralizar serviços da empresa

No primeiro trimestre de 2022 as duas linhas do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), Serpins – Coimbra B e linha do Hospital, que vai ligar a baixa da cidade até ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), têm de estar em exploração para cumprir o calendário.

O presidente do conselho de administração da empresa Infraestruturas de Portugal (IP), António Laranjo apresentou o troço do SMM, Alto de São João – Coimbra B, ontem, dia 27, no Salão Nobre dos Paços do Concelho do Município de Coimbra. Em sessão aberta ao público confirmou o cronograma do projeto de MetroBus. Concurso público para este troço urbano só depois do projeto de execução que em princípio vai estar pronto em Maio.

A Estação de Coimbra A vai ser desativada assim como todos os serviços que a IP tem no Arnado. os serviços vão passar para Coimbra B. A decisão obriga a uma reclassificação da estação de Coimbra B que vai ser transformada em estação intermodal. O desenho só vai estar terminado em outubro de 2019.

Em concurso público está já o troço Serpins – Alto de São João, anunciado em cerimónia pública em Miranda do Corvo em 4 de fevereiro. Para outubro, António Laranjo prometeu ter em projeto o troço Via Central – Hospitais da Universidade de Coimbra, com uma solução negociada com a Câmara Municipal de Coimbra. As duas linhas totalizam um percurso de 42 quilómetros com uma paragem por quilómetro.

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, durante a sessão já tinha afirmado ser a primeira vez em mais de 20 anos de Metro Mondego que o planeado está a ser realizado. Aos jornalistas no final comunicou que é tempo de meter “Mãos à obra!”

A ligação da baixa da cidade ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra vai ter de passar pela Via Central. Os trabalhos em curso estão atrasados, segundo o autarca por via da necessidade de uma autorização do Ministério das Finanças para a demolição de dois prédios.

O projeto do arquiteto Gonçalo Byrne para a Via Central serve de argumento a Manuel Machado para instigar o governo a resolver a questão administrativa para que a ligação a Celas e ao CHUC não se atrase.

Uma das dúvidas levantadas durante a sessão teve a ver com a dúvida sobre a entidade que vai gerir o SMM após a obra terminada e a entrada em exploração. Manuel Machado lembrou que o quadro legal atual determina que seja a Metro Mondego a fazê-lo. No entanto não colocou de lado a possibilidade de uma outra configuração através de um aumento de capital com a salvaguarda de não querer gerar entropia no sistema.

Depois de constituída em escritura pública, em maio de 1996, a Metro Mondego já aplicou 118 milhões de euros sem que haja transporte de pessoas, lamentou Manuel Machado para quem a prioridade deve ser realizar obra de forma a que os passageiros voltem a circular desta vez em MetroBus.

Em momentos anteriores o presidente da CMC tem afirmado estar disponível para negociar uma solução que contemple os Serviços Municipalizados de Transporte Urbano de Coimbra (SMTUC), que são financiados na totalidade pela autarquia. Ontem voltou a confirmar, que se necessário, se fundam entidades de transporte. Em relação à Estação de Coimbra A, situada no coração da cidade, existem ideias para o espaço, entre elas a instalação de um Centro Cultural Miguel Torga. O autarca prefere esperar pelo SMM para propor uma solução.

Em Coimbra B vão terminar os comboios suburbanos da Figueira da Foz e Regionais de Aveiro e Entroncamento pelo que os passageiros vão ter de apanhar o Metro Bus ou um SMTUC para se deslocarem para os vários pontos da cidade deixando de passar pela Baixa de Coimbra, como agora acontece. Esta alteração gerou questões por parte de elementos do público presente receoso de que seja o fim do que resta de comércio naquela zona da cidade.

A solução que vai ser apresentada para a zona de Celas também gera expectativa na medida em que ainda não há certeza de que sirva para além dos CHUC, o polo III da Universidade de Coimbra e o Hospital Pediátrico. António Laranjo procurou tranquilizar os presentes com a indicação de que está tudo em aberto e de que estão a ser estudadas todas as hipóteses em colaboração com os serviços técnicos do Município de Coimbra.

Outra das dificuldades colocada pelos presentes prende-se com a velocidade dos veículos.Se a velocidade máxima de 50km/hora nos troços urbanos não gerou preocupação, já o máximo de 60km/hora nos troços suburbanos causou alguma estranheza na medida em que pode levar alguns passageiros a continuarem a viajar em transporte privado por considerarem demasiado o tempo de percurso no SMM.

Fundamental para os trabalhos futuros e em curso no SMM foi o financiamento por fundos comunitários em 50 milhões de euros, através da reprogramação do programa Portugal 2020. A obra está orçamentada em 85 milhões.

Desde 4 de janeiro de 2010 que a circulação de comboios no Ramal da Lousã foi interrompida que os habitantes dos concelhos da Lousã e Miranda do Corvo se deslocam em automóveis privados ou em autocarros colocados à disposição pela CP – Comboios de Portugal. Os carris foram levantados e o agora MetroBus vai circular no anterior corredor da linha férrea, na grande maioria do percurso até à Portagem de Coimbra, à exceção da variante Sólum para servir aquela zona residencial e de serviços da cidade.

Isabel Simões

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