21/02/19

Combate às “fake news” discutido em Lisboa

As agências noticiosas ibéricas, Lusa e Efe, organizaram, em Lisboa, uma conferência dedicada ao “Combate às ‘fake news’ – Uma questão democrática”. A iniciativa contou com um painel alargado de especialistas na área da comunicação, cultura e política, com o objetivo de debater a questão da desinformação e refletir nos meios necessários para o combate às “fake news”.

A chefe da Unidade de Comunicação Estratégica da Comissão Europeia, Tina Zournatzi, foi uma das convidadas. Na a intervenção informou que a Comissão Europeia pretende aumentar a deteção, análise e exposição da desinformação, mobilizar o setor privado para atacar o fenómeno e ainda aumentar a consciência e a resiliência social. Numa referência ao “Brexit”, Tina Zournatzi referiu que a União Europeia (UE) “não tem estado imune” à desinformação e que tem vindo a ser “há vários anos uma vítima de euromitos”. Na opinião de Zournatzi, “a desinformação tem um efeito perigoso” e a Europa tem-se confrontado com isso diversas vezes na sua história recente.

O historiador José Pacheco Pereira foi outro dos oradores e criticou a tolerância face à ignorância tecnológica alimentada pelas redes sociais. Durante a intervenção deu como exemplo de promoção de “fake news” os tweets do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Na análise do historiador sobre as ‘fake news’, a desinformação não são resultado de um fenómeno tecnológico e sim o “resultado de mudanças sociais”.

Para Pacheco Pereira, o problema não é só das ‘fake news’, mas também da falência das escolas e das famílias que favorecem uma ignorância agressiva da sociedade. As sociedades ocidentais e as mudanças culturais como aumento da solidão urbana, perda de relações sociais, diminuição dos contactos reais substituídos por contactos virtuais, aumentam o impacto da tecnologia na vida das pessoas e a falta de sentido crítico.

O Diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e a Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, considera que as “fake news” têm ganho um poder cada vez maior na vida das pessoas, com danos muitas vezes difíceis de calcular. As características do ciberespaço onde circulam as noticias falsas são uma dificuldade em conseguir travar a velocidade da sua propagação.

Carlos Cabreiro não tem dúvidas que as “fake news” devem ser tipificadas como ato criminal, uma vez que põe em causa a segurança, privacidade e reputação das pessoas e empresas. No entanto, a legislação portuguesa ainda carece de instrumentos que permitam combater de forma eficaz a desinformação.

No encerramento da conferência “Combate às ‘fake news’ – Uma questão democrática”, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, afirmou acreditar que é possível um consenso entre partidos para aprovar medidas e meios para um eficaz combate à desinformação. Ferro Rodrigues informou que o parlamento solicitou à Entidade Reguladora para a Comunicação Social um estudo sobre a desinformação na comunicação digital, que pretende também a inclusão de medidas legislativas a tomar. O presidente da Assembleia da República informou ainda que o parlamento vai promover, em abril, uma conferência sobre a comunicação social na era digital. Ferro Rodrigues quer que a iniciativa, inserida na comemoração dos 45 anos do 25 de abril, permita uma reflexão profunda sobre o futuro do jornalismo.

Luís Miguel Martins/LUSA

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