19/02/19

Amílcar Falcão sobre investigação, relações laborais e modernização do ensino

Amílcar Falcão esteve no Minerva da Rádio Universidade de Coimbra na quinta-feira onde falou sobre os ojetivos e as metas que tem para o mandato que vai iniciar no dia um (1) de março.

Investigação: Áreas estratégicas, doutoramentos concluídos e investigadores de muita qualidade

O tema da promoção da investigação foi abundantemente referido por todos os candidatos como uma peça nuclear no futuro da Universidade de Coimbra. A perspetiva do académico da Faculdade de Farmácia é que se deve enveredar pela definição de áreas estratégicas que permitam fazer “apostas e investimentos mais fortes e ter mais massa critica nessas áreas”. Refere ser necessário que as grandes linhas de investigação passem a ser subordinadas a uma organização estratégica definida superiormente e dá como exemplo a identificação da área estratégica da saúde já produzida pelo Conselho Geral. No entanto, afirma que tem de ser a comunidade cientifica a avaliar essas áreas estratégicas e não a pessoa do Reitor.

Amílcar Falcão referiu também que será importante conseguir aumentar o número de doutoramentos concluídos na Universidade de Coimbra, e apontou que perceber as razões da atual taxa de abandono no terceiro ciclo é uma das tarefas que deve integrar a perseguição do objetivo. “Aprofundar tudo aquilo que foi feito nos últimos anos” foi outra das orientações que o vice-reitor da equipa de João Gabriel Silva apresentou. Nas funções que desempenhou enquanto vice-reitor desde 2011 — ocupando-se da Investigação Inovação, Fundos Estruturais, Desporto e Bibliotecas — afirma que os indicadores desenvolveram-se de forma muito positiva. “Mais que duplicámos o número de projetos e do valor do financiamento” e “conseguimos um aumento de 80% nas publicações”, afirmou. Para dar o passo seguinte, Amílcar Falcão é muito concreto ao identificar o reconhecimento do mérito e a contratação de investigadores como processos fundamentais.


Bolseiros de investigação e precários da função pública

Apesar dos dois programas estatais que integraram a política de combate à precariedade, o Estímulo ao Emprego Científico e o PREVPAP – Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública, os bolseiros consideram que a investigação na Universidade de Coimbra é sustentada em trabalho precário e em bolseiros e que a situação não teve uma resolução satisfatória nos últimos anos. Amílcar Falcão é perentório ao afirmar que o PREVPAP é um “programa de governo que prevê a integração nos quadros das instituições” dos trabalhadores que desempenham uma necessidade permanente mas que, segundo a indicação clara do ministro da Ciência e Ensino Superior, as bolsas de investigação não estão enquadradas no programa. Afirmando a exclusão dos bolseiros do PREVPAP, optou por não comentar o processo que estava que estava nas mãos de João Gabriel Silva e não adiantou mais sobre as reivindicações dos bolseiros para integrarem os quadros da Universidade.


A inovação pedagógica é uma bandeira e “não há espaço nem para ensinar nem para avaliar de forma tradicional”

“Revisitar o processo de Bolonha” é uma das prioridades do escolhido pela maioria do Conselho Geral. Relativamente à inovação pedagógica de que faz bandeira, esclareceu que a defesa que faz do conceito de universidade de investigação não se fundamenta em aulas teóricas presenciais. É muito mais importante treinar os estudantes a resolver problemas.

O Reitor eleito acredita também que vai ser preciso acompanhar a evolução da tecnologia e afirma que não há espaço nem para ensinar nem para avaliar de forma tradicional.

Amílcar Falcão apontou também para o rejuvenescimento paulatino do corpo docente e a aproximação das atividades curriculares às empresas como forma de alterar o paradigma de ensino da UC.

André Jerónimo

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