1/02/19

1111 – “Poemas de Outono e Inverno – poemas da finitude”, o derradeiro livro de poemas de António Arnaut

A Sala Polivalente da Casa Municipal da Cultura foi o local escolhido para a apresentação do livro. “Poemas de Outono e Inverno – poemas da finitude” é uma encadernação com 130 páginas onde se compilaram os poemas escritos por António Duarte Arnaut entre 21 de dezembro de 2017 e 16 de maio de 2018. O livro saiu pela editora Minerva Coimbra, que trabalhou em colaboração estreita com a família, e no sentido de cumprir o desejo do autor em publicar os poemas naquela editora e realizar a apresentação naquela sala.

Na mesa, de frente para a plateia onde as cadeiras foram poucas para sentar todos os presentes, estiveram António Manuel Arnaut, advogado e filho, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, a coordenadora da editora Minerva Coimbra, Isabel Garcia, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Delfim Leão, e o subdiretor da Faculdade de Medicina e coordenador do Observatório de Saúde António Arnaut, Américo Figueiredo.

António Manuel Arnaut, Américo Figueiredo, Manuel Machado, Delfim Leão e Isabel Garcia.

As declamações, a análise do livro e o comentário à obra do homenageado aconteceram numa sessão muito marcada além do seu propósito literário. A emoção dos presentes foi constante, tal como as mensagens em defesa do seu legado político, ou, como várias vezes foi citado, em defesa “do seu melhor poema, o Serviço Nacional de Saúde”.

A sessão foi pontuada por poesia e abriu com a leitura de um dos 50 poemas contidos no livro. Um dos momentos de leitura com escolha e declamação de Francisco Paz, diretor do departamento de Cultura, Turismo e Desporto da Câmara Municipal de Coimbra.

Francisco Paz abre a sessão com uma leitura de um dos poemas do livro.
Francisco Paz

A coordenadora da editora Minerva Coimbra, Isabel Garcia, falou primeiro e deu a palavra aos pares da mesa. Recordou momentos que passou junto do escritor e político — consciente da “escassez e da efemeridade da vida” e com uma permanente sensação de urgência — e afirmou ter tido o privilégio de estar em “horas de partilha e conversas que muito me enriqueceram, e que agradeço”.

O prefácio impresso no livro é da autoria do professor da FLUC, Delfim Leão. Também a ele coube apresentação pública da obra perante a plateia. O docente universitário e amigo da família, dissertou cerca 25 minutos e começou a apresentação por onde se começa, o livro: pela capa.

As primeiras ideias que Delfim Leão retira da análise à capa do livro.
Delfim Leão devenda um dos tema de “Poemas de Outono e Inverno – poemas da finitude”
Delfim Leão

A apresentação de “Poemas de Outono e Inverno – poemas da finitude” decorreu em ambiente quase familiar e de grande comoção. O filho do homenageado, e igualmente advogado, António Manuel Arnaut, falou da pessoa que foi, nas suas palavras, “pai, amigo, colega, sócio, irmão” e alguém que estava muito consciente da proximidade do fim da vida.

Mais do que o livro e a obra poética, o discurso de António Manuel Arnaut focou as características pessoais, a intervenção política e sensibilidade social do pai. A intervenção foi pontuada com histórias de bom humor mas não terminou sem deixar umas quantas notas de tom mais grave. Enquanto falou, António Manuel Arnaut aproximou-se do tema incontornável da sessão, para além do livro ou das características literárias. Era improvável não falar do seu “irmão mais novo”, era inesperado não se referir o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Deu destaque à fidelidade do pai ao SNS, não apenas como um dos que o colocou de pé e defendeu até ao fim, mas também como utente. Fez ainda questão de apontar os destinatários dos seus recados: aos que, sobretudo os do Partido Socialista, estão a esquecer que “a melhor maneira de homenagear o António Arnaut, é honrar o seu legado” e os valores do serviço criado na Lei n.º 56/79, de 15 de setembro.

António Manuel Arnaut fala da percepção do pai sobre a proximidade do fim da vida.

António Manuel Arnaut refere-se ao SNS como irmão e o lema instituído na sociedade nomeia António Duarte Arnaut como seu pai. Mas foi o próprio a lembrar em determinada altura que para ser ele o pai, a mãe do SNS e o seu garante último, é e tem sido, a Constituição da República de 1976.

A sessão terminou com a intervenção do presidente da câmara, Manuel Machado, que deixou uma curta mensagem e leu um dos poemas. Referiu-se ao companheiro de partido como “o nosso António Arnaut”.

Manuel Machado leu um dos poemas e deixou uma curta mensagem.
António Manuel Arnaut e Manuel Machado.
Francisco Paz encerra a sessão depois da intervenção do presidente da CMC.

O advogado, político e escritor, faleceu em Coimbra, 21 de maio de 2018. António Arnaut completaria 83 anos no dia 28 de janeiro, o dia da apresentação do livro.

No 1111 do dia 30 de janeiro, transmitimos as intervenções feitas no fim de tarde desse dia. O programa está disponível em diferido no mixcloud da Informação RUC.

André Jerónimo

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Mon, 18 Mar 2019 20:35:54 +0000