24/01/19

Brexit: fronteira irlandesa mantém discórdia para novo acordo

Fotografia: sítio da Internet da Comissão Europeia

[DESPACHO DA CORRESPONDENTE EM INGLATERRA]

O governo inglês ainda está em negociações para definir a nova versão do acordo que pode ser implementado após a saída da União Europeia (UE).

A fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda continua a ser um dos pontos-chave do novo plano, uma vez que a paz entre os dois países pode ser ameaçada, caso a opção final seja por uma fronteira física.

As duas Irlandas estão, de momento, separadas por uma linha fronteiriça invisível, sem qualquer tipo de controlo na circulação de bens e pessoas; situação estabelecida nos acordos de paz de Belfast, em 1998. Uma mudança para uma fronteira com controlos obrigatórios para viajantes e para a transação de bens põe em causa o progresso feito há cerca de 20 anos.

Uma das possibilidades é uma fronteira marítima, sugerida pelo Democratic Unionist Party, da Irlanda do Norte. As fiscalizações alfandegárias podem ser aplicadas apenas a bens que circulem entre a Grã-Bretanha (Escócia, Inglaterra e País de Gales) e a UE, mas exclui as trocas comerciais efetuadas entre as Irlandas.

Mesmo com o prazo para negociações prestes a terminar, não há consenso sobre este tópico sensível, como é espelhado pelas horas intermináveis de discussão no parlamento britânico.

Os representantes da Comissão Europeia admitem que implementar uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda é a opção mais provável, caso as emendas ao acordo rejeitado dia 16 de janeiro não sejam aprovadas. Contudo, ainda é possível que a primeira – ministra britânica, Theresa May, ative a extensão do artigo 50 e prolongue a saída definitiva da UE por 9 meses. Para Bruxelas, segundo, um porta-voz da Comissão Europeia, citado pelo The Guardian, há abertura para prolongar as negociações até ao verão, algo que até agora tinha sido recusado a Theresa May.

A saída do Reino Unido da UE sem qualquer acordo é, de momento, a possibilidade que o governo britânico quer evitar, mas que os elementos da Comissão Europeia estão prontos a aceitar caso nada mude até dia 29 de março.

Maria Eduarda Eloy

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2019-06-24T15:35:00+00:00
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