4/01/19

Cidadãos invisuais carecem de novos e velhos suportes de aprendizagem

No dia 4 de janeiro, Dia Mundial do Braille, a RUC falou com o psicólogo e diretor técnico do Centro de Atendimento, Acompanhamento e Reabilitação para Pessoas com Deficiência (CAARD), José Mário Albino.

Um meio envolvente que não está preparado para “respeitar a incapacidade dos cidadãos que têm limitações” é apontado por José Mário Albino como uma das dificuldades sentidas.

Como ponto positivo do Dia Mundial do Braille, o psicólogo assinala a existência na Biblioteca Municipal de Coimbra de um espaço próprio para leitura de cidadãos invisuais. A existência dos meios necessários permite o acesso ao livro por parte dos cidadãos invisuais.

A evolução dos recursos tecnológicos de acesso à informação tem sido crescente nos últimos 30 anos, desde o Braille aos meios áudio. No entanto, continua a ser importante que as escolas trabalhem “no sentido de aproveitar as linhas de apoio que existem” de modo a que as crianças possam ter acesso aos periféricos Braille que são “dispendiosos”, salienta José Mário Albino.

A disponibilização dos recursos didáticos bibliográficos é “centralizada em Lisboa” e não existe conhecimento da sua dispersão nas escolas de Coimbra, afirma José Mário Albino.

Se o Braille representa “o meio por excelência” que as pessoas com deficiência visual têm de leitura, a gravação e a síntese de voz permitem também “o acesso à informação”, acrescenta o psicólogo.

O diretor do CAARD chama ainda a atenção para a crescente valorização, nos ciclos de formação, dos suportes gráficos. Alerta que os mesmos implicam a existência de representações em suporte papel ou ‘thermoforme’ que teme “desapareçam com a massificação do digital”.

O psicólogo lembra que uma criança com cegueira desde a nascença tem de desenvolver competências de exploração de mapas e gráficos desde tenra idade. Razão que justifica o acesso a um conjunto de meios que vão além do Braille e da gravação e síntese de voz, lembra.

Em 11 de janeiro o Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no polo II acolhe, pelas 10 horas, um seminário dedicado ao Livro Braille – Linhas e Pontos na Era Digital. A iniciativa tem organização do Instituto Nacional para a Reabilitação.

A Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) vai realizar, nos dias 11, 12 e 13 de abril de 2019, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o I Congresso Internacional da Deficiência Visual. O congresso vai ter como tema: “Sociedade Inclusiva + Participação Responsável = CIDADANIA PLENA”

Pode ouvir a entrevista completa aqui.

Isabel Simões

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