6/12/18

José Dias: [sobre as eleições da Academia] “o pior cenário era arrastar tudo isto para os tribunais”

O comentário à atualidade no Alvorada de hoje (6) esteve a cargo de José Dias, antigo presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) e membro da Divisão de Inovação e Transferência do Saber (DITS) da Universidade de Coimbra.

O grande tema da intervenção de José Dias passou por uma análise ao ato eleitoral para a escolha da nova Direção Geral e da nova Mesa da Assembleia Magna da AAC, tendo por base a sua experiência como antigo dirigente associativo. A votação para os novos corpos dirigentes da AAC decorreu nos dias 27 e 28 de novembro, mas nas horas seguintes a Comissão Eleitoral anunciou a suspensão do processo eleitoral, até que o Conselho Fiscal se pronunciasse (aqui). A situação culminou com a posição do Conselho Fiscal, após recurso interposto pela Comissão Disciplinar, em substituir o presidente da Comissão Eleitoral, Pedro Matos Filipe (aqui). Neste momento, decorre a contagem quantitativa dos boletins de voto, como forma de aferir discrepâncias entre o número de boletins impressos e a quantidade de boletins presentes na votação; segue-se uma comparação entre os nomes enunciados nos cadernos eleitorais e os boletins de cada urna. A margem de erro não pode ultrapassar um por cento por urna, sob pena de repetição do voto na secção em causa. A não existência de irregularidades nos critérios definidos pelos órgãos fiscalizadores permite que se proceda à análise qualitativa dos boletins de voto, i.e., os resultados por lista candidata.

José Dias, que enquanto antigo responsável associativo, “tenta ao máximo não emitir qualquer tipo de opinião” que condicione o trabalho dos atuais dirigentes, considera grave que a certa altura os órgãos fiscalizadores da eleição tenham apontado indícios graves de fraude sem que os pudessem descrever. O colaborador da DITS lamenta a má comunicação destas entidades com o exterior e a forma como todo este processo pode denegrir a imagem da Académica. Quanto à suspensão de Pedro Matos Filipe, presidente da Comissão Eleitoral, José Dias relembra que a suspeição recai sobre todos os envolvidos na gestão do processo eleitoral.

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A verdade é que existe a possibilidade da atual Direção Geral ter de prorrogar o seu mandato, até porque, como o ex-dirigente associativo relembra, por norma os novos corpos gerentes tomam posse até à última semana de aulas do primeiro semestre, algo que por agora se afigura inviável. No entanto, esta situação é diferente da vivida em 2013 pela esfera da AAC (aqui e aqui), já que até agora não houve recurso às instâncias legais. O também mestrando em Gestão sugere algumas alterações por forma a aumentar a transparência da votação.

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A Universidade de Coimbra (UC) assinou ontem (5) um acordo com a Academia Chinesa de Ciências Sociais para a criação do Centro de Estudos Chineses (aqui). A parceria foi oficializada no Palácio Nacional de Queluz pelo reitor da UC e pelo responsável da instituição do país asiático, na presença do presidente da República Popular da China, Xi Jinping, e do primeiro-ministro de Portugal, António Costa. O Centro de Estudos Chineses da UC é apenas o terceiro na Europa e o 11.º em todo o mundo.

Para José Dias, este acordo vem no sentido da aposta da UC na internacionalização, embora divirja da norma de atrair estudantes e investigadores de países de língua oficial portuguesa.

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Na temática nacional, desde 22 de novembro que os enfermeiros estão em greve às cirurgias programadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os sindicatos e a Ordem dos Enfermeiros têm referido que a greve em blocos operatórios está a levar ao adiamento de cerca de 500 cirurgias por dia. Ao mesmo tempo, os negócios de compra e venda no setor privado da saúde atingiram cerca de seis mil milhões de euros no último ano, como noticia o Jornal de Notícias (JN). Questionado se no futuro o setor privado da saúde vai substituir o setor público ou ser apenas um complemento deste, José Dias refere que não acredita num sistema de saúde totalmente privado, e indica que as greves e protestos que se têm feito sentir no país são uma forma das várias classes de trabalhadores apresentarem as suas posições e pretensões, face à iminência de um clima pré-eleitoral.

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O comentário pode ser ouvido na totalidade aqui.

David Coelho

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Sat, 15 Dec 2018 09:35:42 +0000