27/10/18

1111 – O que aprendemos com a tempestade Leslie

O 1111 de quarta-feira, dia 24 de outubro, trouxe a estúdio o vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC), Vítor Murtinho, o comandante distrital de Coimbra da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), Carlos Luís Tavares e o diretor do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (DCT-FCTUC), Alexandre Oliveira Tavares. Em discussão estiveram temas relacionados com as consequências do ciclone Leslie e as necessidades da prevenção no futuro.

Vítor Murtinho confessou que não visitou a Rádio Universidade de Coimbra (RUC) com o gosto que poderia ter noutros momentos. O vice-reitor contou que os prejuízos estavam ainda a ser contabilizados pois a prioridade foi dotar com um mínimo de condições de habitabilidade o edificado que a tempestade afetou.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Até ao momento do programa a contabilidade dos danos já era elevada. O governante da UC esclareceu que os cerca de 3 milhões de euros calculados correspondem às várias instalações afetadas e que, para orçamentar os arranjos necessários, não contam exclusivamente os estragos provocados diretamente pelos ventos fortes. A chuva dessa noite também provocou estragos.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

O cenário no Jardim Botânico da UC na manhã de domingo, dia seguinte à tempestade, pareceu ao vice-reitor “um cenário de Guerra”. Em casos como o do Paço das Escolas, o que segurou as telhas no lugar, face à força do vento que vinha do litoral, deveu-se ao trabalho de reabilitação dos edifícios da Universidade de Coimbra realizado nos últimos anos, afirmou o vice-reitor. 

Vítor Murtinho considera que a comunidade da UC não estava preparada nem consciente para a tempestade apesar do extraordinário zelo de alguns funcionários em tentar acomodar os espaços o melhor possível, alguns até, deslocando-se aos edifícios no próprio sábado da tempestade.

Números que a tempestade deixou

Sobre o que se passou pela região, Carlos Luís Tavares mencionou existir um grau elevado de destruição em sete concelhos, sendo os mais devastados os do litoral devido à dinâmica da tempestade que depois de entrar em terra foi perdendo intensidade.

Os números oficiais indicam que os agentes de proteção civil responderam a cerca de 1200 ocorrências no distrito de Coimbra, sendo a maior parte (758) relativas a queda de árvores e depois (365) a queda de estruturas. No entanto o comandante distrital revela que os números não refletem a realidade daquilo que encontraram no terreno.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Para o comandante, valorizar a informação transmitida pelas autoridades é a peça chave da prevenção. Perante as forças das tempestades são expectáveis danos materiais, importante é salvaguardar a integridade física.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Carlos Luís Tavares esclareceu ainda que em Portugal não foi registado qualquer sinistro atribuível à tempestade. Segundo as informações do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) as duas mortes registadas no distrito e que correspondem ao momento da passagem do Leslie ocorreram por causas não relacionadas: uma morte súbita e uma queda.

Recomendações para futuro

Os três convidados do 1111 concordaram sobre a necessidade de dotar o país com soluções de prevenção e resiliência para fenómenos meteorológicos caracterizados por ventos fortes. O tipo de consequências do fenómeno natural é diferente dos de uma cheia ou de um incêndio florestal.

Apesar de não serem habituais em Portugal fenómenos como o Leslie, o aquecimento da temperatura à superfície do planeta registado nas últimas décadas, potencia a exposição do país a fortes intempéries vindas do Atlântico. Alexandre Oliveira Tavares evidenciou aquilo que na sua opinião é uma dualidade preocupante, muito comum na maioria das pessoas: a atenção prioritária ao prejuízo material e o sentimento de impotência para garantir a segurança do próprio e a dos mais próximos.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Em paralelo com a sensibilização das populações para a autopreservação, afirmou ser necessário capacitar ainda mais as estruturas públicas de segurança. Apontou a comunicação interna e externa (através dos órgãos de comunicação social) como um fator essencial. Além da prevenção e da emergência, o especialista em gestão de riscos associados a fenómenos naturais assinalou outro fator como relevante: a preparação para a recuperação. Um trabalho que, em Portugal, afirmou ser escasso.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

O diretor do DCT-FCTUC enfatizou ainda a necessidade de a população interiorizar os limiares entre os impactos e danos expectáveis para os diferentes tipos de alerta. Embora veja uma cultura de segurança mais prevalecente nas últimas duas décadas, o professor alerta que “vamos ter de nos preparar […] para as alterações climáticas”.

O 1111 de 24 de outubro está disponível aqui.

André Jerónimo

2
11
15
0
GMT
GMT
+0000
2018-12-11T11:15:35+00:00
Tue, 11 Dec 2018 11:15:35 +0000