19/09/18

RUC @ SONIC BLAST 2018

Mais uma vez o Sonic Blast Moledo voltou a preencher as agendas de todos os festivaleiros que costumam dirigir-se ao norte do país. Este ano com uma surpresa: pela primeira vez os bilhetes esgotaram a um mês do Sonic Blast Moledo começar. Não tardou a que muitos recorressem às redes sociais, em publicações desesperadas, em busca de um passe. Contudo, a organização esteve atenta e lançou mais 100 passes gerais para todos aqueles que não o conseguiram adquirir antes.

A RUC também conseguiu estar nesta edição do festival e conta o que achou da sua estadia para poderem (re)viver o que Moledo guardou durante dois dias.

09 de Agosto:

O festival começaria no dia a seguir, mas o campismo junto à Praia de Moledo, muito por culpa das Warm-Up Parties, já se encontrava composto. Sendo assim, às 17h30 os Heavy Cross of Flowers seguidos pelos espanhóis Sombra abriam as hostilidades no bar Paredão 476 que rapidamente encheu, fazendo com que muitos optassem por ficar junto do muro da praia. Umas horas depois do jantar, às 23 horas, a festa voltou a erguer-se no Ruivo’s Bar com os portugueses Pledge e a banda espanhola Acid Mess, mais uma vez com lotação esgotada. A noite prometia ser muito pequena para o baile que se tinha montado.

Foto: Iago Alonso

10 de Agosto:

Primeiro dia oficial do festival!

A vida no parque de campismo começou bastante cedo, com pessoas a chegar e outros ainda a recuperar da noite anterior. Certamente não houve espaço para se ficar a dormir até mais tarde pois os concertos no Pool Stage começariam às 13h30 com o rock psicadélico dos barcelenses Solar Corona. De seguida às 14h25 vieram os Desert Smoke. O calor já se fazia sentir na pele e, permitam-mo dizer, há algo no stoner psicadélico que convida a dar um mergulho e ter uma piscina mesmo ao lado do palco é uma experiência incrível. A música no Pool Stage foi-se ouvindo até às 17h50 com os espanhóis Atavismo cujo sangue Andaluz era palpável no seu som, com os portuenses Astrodome que brindaram o publico com mais uma dose de psicadelismo e, para fechar, os irlandeses Electric Octopus que impressionaram tudo e todos com uma performance irrepreensível. De notar que em cada concerto era notável a chegada de mais gente o que fazia com que a piscina, o relvado e a banca da cerveja se enchessem, o público mostrava-se cheio de energia e boa disposição para o Palco Principal. Fechado o Pool Stage houve uma verdadeira procissão muito organizada até ao recinto do Palco Principal, mas houve gente que se deixou ficar mais um bocado pela piscina, talvez a aproveitar o que restava de uma tarde e de um sol escaldante.

Foto: Iago Alonso

Às 18h os Conan abriram o Palco Principal. A banda oriunda de Liverpool trouxe riffs muitos quentes e foram recebidos por um público fresco e muito mexido. No final deste primeiro concerto, o frio e a fome começaram a manifestar-se o que levou muita gente a deslocar-se à zona da restauração e ao campismo. Eu fui uma dessas pessoas. A correr! Porque não queria perder Ufomammut. No campismo fiquei impressionado com a movimentação que por lá se fazia sentir. Havia gente a cantar, a tocar instrumentos, a passear os cães, a tomar banho… A festa fazia-se sentir em todo o lado!

De volta ao recinto, era altura para os Ufomammut tomarem conta do palco. O público já se mostrava mais agasalhado e composto, havia muita atividade na bancada da Merch bem como nos baloiços/parque infantil que se encontram no recinto e que, de uma maneira humorística, ia sendo ocupado por quem lá passava. Entretanto o trio italiano fazia sentir o seu som pesado, cativante e muito hipnótico. Tive a oportunidade de falar com eles, fica aqui a entrevista aos Ufomammut.

“It’s our first time in Portugal, it’s fucking awesome” foi assim que Eddie Glass, vocalista e guitarrista dos Nebula, começou o concerto. A irreverência e a energia da banda fez com que aqueles que estavam sentados na lateral se levantassem para um pezinho de dança muito mexido o que fez dos Nebula uma das principais atrações do 1º dia do SonicBlast. Logo depois os dinamarqueses Causa Sui, completamente entregues à música, fizeram com que a plateia crescesse ainda mais. E se no concerto anterior o público estava composto, em Samsara Blues Experiment estava a abarrotar. Muitos ficaram na lateral do recinto sentados mas completamente hipnotizados e rendidos às vibrações que a banda alemã transmitia. O palco principal no 1º dia terminou com a explosão que foi Mantar, sem dúvida a performance mais pesada do Sonic Blast Moledo 2018. O duo alemão mostrou o que é um bom sludge metal, muito cru, muito “in your face” o que levou o público à loucura. Aqueles que ainda tinham energia dirigiram-se ao Ruivo’s Bar para o After Party a cargo do Dj El Óscar.

Foto: Iago Alonso

11 de Agosto:

Segundo e último dia do festival mais uma vez com concertos a começar às 13h30 no Pool Stage mas devido à after-party, até por volta das 16h a vida na zona de campismo estava animada. Contudo houve quem não faltasse à piscina e ao som dos The Wizards, dos Talea Jacta e dos Greengo. Os sul africanos Ruff Majik pisaram pela 1ª vez o solo português e fizeram-se sentir entre o público, este que para fugir ao calor fazia uma espécie de mosh aquático. O Pool Stage estava cheio quando os noruegueses Purple Hill Witch tomaram conta do palco, tive a chance de falar com eles sobre o concerto, o seu trabalho e a diferença do público no norte da Europa VS o público no Sul da Europa:

Foto: Iago Alonso

Os gregos Naxatras abriram o palco principal com todo o psicadelismo que o seu nome traz. Logo de seguida vieram os The Atomic Bitchwax, banda americana formada em 1993 pelo baixista e vocalista Chris Kosnik, onde a sua notável experiência em palco pôs o público a mexer. Mais uma vez a festa prometia continuar noite fora com as bandas e uma audiência completamente entregue às sonoridades típicas do Sonic Blast. Seguiram-se os 1000Mods que, pelo que pude entender nas conversas que tive com alguns elementos da plateia, eram dos nomes mais esperados da noite. Apesar de algum frio que já se fazia sentir para aqueles que não trouxeram um casaco extra, não impediu de o recinto estar quase cheio.

Foto: Iago Alonso

Seguiu-se o trio alemão Kadavar com um sound-check meio em cima do joelho mas que com uma atitude irreverente o concerto fez-se com um recinto bem composto e uma plateia energética. Logo de seguida vieram os Earthless, um dos maiores nomes a pisar o palco desta edição do Sonic Blast. Tive a grande e inesperada oportunidade de falar com Isaiah Mitchell, ele guitarrista e vocalista da banda californiana.

Foto: Iago Alonso

Para fechar oficialmente o palco principal do festival a banda nacional The Black Wizards voltaram ao “melhor festival do mundo” para mais uma atuação irrepreensível dos seus blues com fuzz. Também pude entrevista-los, eles que deixaram uma mensagem aos ouvintes da RU(, podem ouvir aqui.

A festa, mais uma vez, seguiu-se para a última after-party no Ruivo’s Bar onde a Dj Paula Cavaco nos brindou com uma seleção musical adequada e que encheu a casa.

Foto: Iago Alonso

Mais uma vez o Sonic Blast mostrou aquilo que é: um festival único situado numa zona remota de Portugal mas que traz gente de todos os cantos do mundo. É raro encontrar um festival onde todas as bandas, sem excepção, dão o corpo e a alma pela sua atuação, o que se reflete no público sempre entregue aos acordes que vão saindo dos amplificadores nos palcos de Moledo. Já temos datas marcadas para o próximo verão: 9 e 10 de Agosto. Até lá mantenham-se sintonizados na Rádio Universidade de Coimbra sempre em 107.9 ou aqui na nossa emissão online.

Fotos por Iago Alonso.

Texto por Bernardo Matos.

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