19/09/18

RUC @ Paredes de Coura 2018

Mais um ano, mais um Paredes de Coura. Tendo já 26 anos torna-o um dos festivais mais antigos do país sempre em constante crescimento. Mais uma vez, a RU( foi viver o Couraíso.

Para obtermos a completa experiência do festival temos que perceber que ele é muito mais que isso. Para muitos já é tradição viajar até Coura todos os anos, um retiro e umas férias preenchidas de muita música e cultura num dos melhores espaços naturais que Portugal tem para oferecer. Tendo isto em conta o festival não se pode descrever só com os concertos naqueles quatro dias do belo mês de Agosto.

Festival Sobe À Vila

Se os quatro dias do festival atraem milhares de pessoas o festival Sobe À Vila, apesar de ser um aquecimento para o Paredes de Coura, já tem nome próprio. Muitas foram as caras conhecidas que durante os tais quatro dias de aquecimento me relataram que vieram de prepósito só para as festas na vila.

No dia 11 de Agosto foi “um filme colaborativo, feito a partir dos contributos de espectadores que, ao longo dos últimos 25 anos passaram por Paredes de Coura, é o ponto de partida do projecto que o MODS Collective desenvolveu especificamente para esta edição do festival”.

No dia a seguir os Barry White Gone Wrong abriram as hostilidades, seguidos dos 10 000 Russos que deram um concerto à altura do nome que já têm vindo a criar. Para finalizar o Dupplo Dj Set continuou pela noite dentro fazendo com que ninguém abandonasse a vila.

No dia 13 Chinaskee & os Camponeses abriram o palco, logo de seguida os The Black Wizards trouxeram o seu fuzz até Coura e como no Sonic Blast Joana Brito e seus companheiros não desiludiram. Cumbadélica fez-se ouvir pelo resto da noite.

No último dia do Sobe à Vila The Lemon Lovers abriram o palco… Deixem o Pimba em Paz, projeto de Bruno Nogueira e Manuela Azevedo, foi recebido calorosamente pelo público onde brilhou pelo seu carácter humorístico. Para terminar Tigerman Dj Set, Paulo Furtado fez rodar os seus discos pela noite dentro.

O campismo

Apesar de alguns dos festivaleiros mais velhos já não optarem por acampar, continua a ser uma das principais razões de Paredes de Coura ser as férias e o retiro de muita gente. O espaço que de ano a ano parece melhorar é, durante uma semana, a casa de maior parte do público de Coura o que faz com que seja uma animação dia e noite. Talvez seja por isto e por culpa do rio Taboão que o Vodafone Paredes de Coura tenha ganho o nome “Couraíso”.

Este ano o Palco Jazz na Relva, durante os 4 dias, recebeu vários artistas emergentes bem como as “Vozes da Escrita” conversas entre autores literários que captavam o interesse dos festivaleiros que optam por passar o dia nas margens do rio.

Dia 15 de Agosto

Iniciava-se assim o Festival Paredes de Coura. Como já é habitual no primeiro dia só se brilha no palco principal (Palco Vodafone). Às 18:30 iniciavam Grandfather’s House banda de Braga que ao longo dos anos foi subindo no Festival: começaram no Jazz na Relva, passaram para o palco secundário e este ano subiram ao palco principal. De seguida Marlon Williams brindou-nos com a sua voz incrível que captou a atenção de toda a gente. Linda Martini entraram logo a seguir com um concerto para alguns animado e para outros que já seguem a banda à algum tempo foi “mais do mesmo”. Chegou a altura do concerto da noite, King Gizzard and the Lizzard Wizard não desapontaram e ofereceram aos fãs um espetáculo daqueles que quando acabam pede-se por mais.

Finalizados os concertos no palco Vodafone as after-hours começaram no palco secundário com Conan Osiris e com o DJ Nuno Lopes, este que costuma fechar o festival, mas que este ano passou para a primeira noite.

Dia 16 de Agosto

O segundo dia no palco principal começou com X-Wife que abriram calmamente o apetite ao público este que saltou e gritou em Shame banda que surpreendeu muito. De seguida The Legendary Tigerman com alguns contratempos técnicos que levou Paulo Furtado a dizer algumas frases com uma pitada de humor, entre elas: “Já conseguimos meter dois homens na lua, mas não conseguimos pôr dois microfones a funcionar ao mesmo tempo” e “Eu gosto de dar feedback”. Apesar disto Furtado e companhia deram um concerto memorável e como se costuma dizer “partiram tudo”. Fleet Foxes vieram acalmar os ânimos o que acabou por funcionar muito bem para os Jungle que, pelas conversas que fui tendo com alguns membros do publico foi um dos melhores concertos deste ano.

No palco secundário passaram inicialmente Fugly e The Mystery Lights para depois ser altura de o projeto a solo de Michelle Zauner o Japanese Breakfast se estrear em Portugal, e foi muito bem recebido pelos fãs! Estes que correram para não perder o lugar à frente da grade. Também subiu neste palco a portuguesa Surma e nas after-hours Confidence Man e Young Marco.

Neste dia aproveitei e fui falando com alguns campistas, eis o que eles me tiveram para me dizer.

Dia 17 de Agosto

O terceiro dia do festival prometia: desde os DIIV que vieram de Los Angeles de propósito, passando pelo som calmo e característico dos Slowdive até ao mistério das Pussy Riot.

Os ânimos estavam calmos dado às atuações de Lucy Dacus e Kevin Morby e, do nada, surgem os DIIV. Com uma atitude irreverente Zachary Cole Smith, a cara deste projeto, trocava uma corda partida e ia falando com o público, este que estava confuso mas que ia aceitando o humor sarcástico do guitarrista e vocalista. Seguido de umas palavras de gratidão e excitação por atuarem antes de Slowdive e de um “Make DIIV cool again” o concerto começou. O público encontrava-se calmo, sem muita agitação o que é compreensível dado ao som característico da banda. Apesar de tocarem diversos temas do seu reportório, desde os mais antigos até a um tema novo em modo teaser para o que aí vem, o concerto terminou a saber a pouco (eu, pelo menos, queria ouvir mais). De seguida, Slowdive. O que há para dizer sobre eles? Com uma carreira tão longa e um som tão característico, foi tão imersivo que se tornou mágico. Finalizados os Slowdive, chegou o momento mais arriscado da noite, Skepta. Viu-se claramente a mudança no público, os mais jovens chegavam-se à frente e iam empurrando só para poderem chegar à frente da grade. Isto e o facto de alguns objetos voarem para cima do palco levou a várias interrupções do concerto e a um comunicado a pedir para se acalmarem os ânimos senão, não continuava. Mas, para o agrado de muitos (e desagrado de outros), continuou.

No palco secundário foram-se ouvindo Smartini, Irmahan, Frankie Cosmos e …And You Will Know Us By The Trail Of Dead. De destacar os argelinos Irmahan que mais cedo tinham dado um concerto numa pedreira, fazendo parte dos Vodafone Music Sessions (concertos que iam acontecendo pelos espaços da vila) e que voltaram a brilhar no recinto.

Terminados todos estes concertos chegou o momento mais esperado e misterioso da noite, as after-hours abriam com Pussy Riot. Durante 15 minutos o palco esteve às escuras com 25 exigências de cariz político-sociais a serem projetadas e proferidas. Nunca o palco secundário esteve tão cheio. Depois destes 15 minutos, Pussy Riot chegou com apenas uma vocalista, dançarinas e um DJ. Uma performance toda em playback com um som pobre o que levou muita gente a ficar confusa e desiludida com todas as espectativas que se tinham criado. Para compensar Lauer foi pela noite dentro com um som que se ouvia por todo o campismo.

Dia 18 de Agosto

O último dia claramente sofreu do “efeito Arcade Fire”, lotação esgotada. E quando falo em esgotada, estava mesmo, se durante o dia as margens do rio estavam mais cheias que o habitual, no recinto era impossível ir à zona restauração comer qualquer coisa sem que estivéssemos numa fila enorme. Isto não impediu a festa de continuar e acabar em grande.

Devido ao grande nome que iria fechar o palco principal, maior parte dos concertos, apesar da audiência, foi ofuscado. Miles Sanko abriu as hostilidades seguido de Curtis Harding. Big Thief ainda causou algum alvoroço, mas foi preciso os nacionais Dead Combo para captar a atenção do publico, que pela primeira vez nesta edição, as luzinhas que foram distribuídas foram ligadas para um momento muito bonito. Chegou a uma da manhã, era agora que a festa ia rebentar. O palco estava epicamente montado, o acesso à frontline era impossível mesmo tentando uma espécie de corta-mato pelas laterais. Arcade Fire deram um concerto longo, épico e muito animado, era palpável a felicidade do público bem como a da banda. Com muita coisa a acontecer ainda houve tempo para relembrar Aretha Franklin e para Régine Chassange se enfiar pelo meio do público.

Dado o término do concerto houve uma espécie de “efeito Arcade Fire” ao contrário, muita gente decidiu ir embora e não ficar para as after-hours. Nesta confusão ainda tive a oportunidade de encontrar Fernando Alves, ele um RU(iano e um festivaleiro de Paredes de Coura desde quase os primórdios do mesmo, fica aqui a conversa com o Fernando onde resumimos esta edição, olhámos para o passado e especulámos sobre o futuro do festival Paredes de Coura.

No Palco Secundário deste último dia fez-se ouvir os som dos Keep The Razors Sharp, Dear Telephone, Silva (que fez com que muitos seguissem o caminho do som e abandonassem o seu lugar no palco principal) e Yasmine Hamdam.

Nas últimas after-hours dançou-se ao som de Ermo, Ninos Du Brasil e DJ Kitten.

Paredes de Coura terminou assim a sua vigésima sexta edição com a promessa que para o ano, de 14 a 17 de Agosto, as margens do Taboão voltam a ser tomadas por todos os festivaleiros que vivem e respiram o Couraíso.

Texto por Bernardo Matos

Fotos por ex.:  © Hugo  Lima 

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Sat, 15 Dec 2018 10:07:35 +0000