11/09/18

Teatrão apresenta programação para próximas temporadas e reativa ‘blog’

Uma maior estabilidade financeira, possibilitada pelos apoios, a quatro anos por parte da Direção-Geral das Artes (DGArtes), anual da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e alguns Fundos Europeus, permitem à companhia d’ O Teatrão, viabilizar programação cultural a médio prazo.

Ontem, em conferência de imprensa a diretora artística da companhia sediada na Oficina Municipal de Teatro (OMT), Isabel Craveiro, apresentou os espetáculos que vão ter lugar até final do ano e alguns dos programas até 2021.

Com os apoios foi possível consolidar e “aprofundar o trabalho e atividade da OMT” que “nos últimos anos tinham sido fortemente prejudicados” pela diminuição do orçamento disponível, segundo Isabel Craveiro. Foi também anunciado que a partir de hoje, dia 11 de setembro vai voltar a ser possível seguir a programação no ‘blog’ da companhia de Coimbra.

Gentileza d’ O Teatrão

“Okupas” um ciclo de “continuidade” para conhecer a região e o país fora de Lisboa e Porto

A partir do próximo sábado (15) tem início o programa “Okupas” em que o Teatrão começa por receber a companhia Mascarenhas-Martins, do Montijo, na Sala Grande, com a peça “O medo de existir“, pelas 21h30. A colaboração continua no domingo (16) com um espetáculo de música seguida de uma conversa no espaço da Tabacaria, às 16 horas.

Ainda em setembro, acontece a oficina “O Meu Teatro” pela companhia de Castelo Branco, Terceira Pessoa no sábado (22) e no domingo seguinte, das 10 h até às 13 horas destinado a adolescentes (dos 14 aos 18 anos). No mesmo sábado à noite, a companhia apresenta a peça “Aqui é Sempre Outro Lugar”.  

Encontros que surgem como forma de “abrir um espaço de ocupação” na OMT, a companhias da região e do país e para demonstrar a necessidade de continuarem a existir estruturas teatrais com equipas contratadas, em oposição à ideia de que a “atividade teatral deve ser feita sem vínculos laborais”, palavras de Isabel Craveiro na ilustração do programa. 

Lia Gama. Gentileza d’ OTeatrão

Em setembro regressa a poesia “Em Voz Alta”

Lia Gama e Maria João Luís são as atrizes com leituras de poesia de Herberto Helder a 22 de setembro. A poesia de Carlos de Oliveira, pela voz de Luís Lucas e Jorge Silva Melo, encerra, a 13 de outubro, o ciclo “Em Voz Alta”. Os atores e atrizes fazem parte da companhia Artistas Unidos.

Benjamim – Gentileza d’ O Teatrão

Tabacaria continua  a receber Músicas do Mundo do Rock e do Punk

Na produção musical nacional o destaque vai para Benjamim, que volta a Coimbra desta vez em duo, no dia 27 de setembro e para os Capitão Fantasma que atuam a 31 de outubro. A música popular portuguesa chega em novembro (23) com Pedro Lucas e Carlos Medeiros. 

A nível internacional são vários os músicos que vão passar na OMT: os  neozelandeses, The Caveman, chegam a 20 de setembro, os americanos Cheap Tissue em 5 de outubro, os franceses Les Lullies  a 11 de outubro. 

Estes são alguns dos nomes que vão passar pelo Teatrão. A curadoria de Vítor Torpedo é para manter nas áreas do Rock e do Punk, com o circuito de bandas  alternativas nacionais e internacionais a visitarem Coimbra.

“Casa Aberta”, a parceria com o Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa

O programa de formação destinado a estudantes e a estruturas profissionais de teatro, vai ter lugar nos próximos anos, e terá como curadora, Maria João Brilhante. “Casa Aberta”, assim se chama o programa, estreia no último trimestre do ano e vai decorrer de dois em dois meses.

 

POP LARUCHO a rádio como veículo de propaganda

Entre dezembro (13) e janeiro (13), a nova produção do Teatrão fecha o ciclo da “Casa Portuguesa” com a Tabacaria a transformar-se num estúdio de emissão de rádio, que vai mimetizar o programa da Emissora Nacional(EN) do Estado Novo, “Serão para trabalhadores” – o programa criado em 1941 por orientação de António Ferro, chefe do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN) e presidente da direção da EN -.

À semelhança do programa da EN, também o Teatrão pretende “doutrinar” os espetadores  “para a importância de aportuguesar Portugal para os turistas ou para o povo”, segundo a diretora. “Prometemos um espetáculo divertido e acutilante”, disse na conferência de imprensa.

A peça  “Eu Salazar” que estreou em 25 de Abril, na última temporada e que se insere no ciclo “Casa Portuguesa” vai em digressão. Em outubro chega a  Ponte de Lima (26), Miranda do Corvo (31) e em novembro (10) a Viana do Castelo.  

“TerraTorga”, a criação de Leonor Barata, em busca do “Reino Maravilhoso”, com palavras do escritor Miguel Torga volta de 2 a 27 de outubro, de terça a sexta de manhã para as escolas e para todos os públicos, ao sábado às 17h.  

Fotografia: Carlos Gomes

O ciclo de “Teatro e Memórias”, um trabalho da OMT com 19 instituições e escolas de Coimbra está já em curso. Em outubro iniciam as aulas das Classes de Teatro com dez turmas. As inscrições estão abertas e podem inscrever-se todos os que tenham mais de cinco anos de idade. 

25 anos d’O Teatrão com Ricardo III de Shakespeare

Em 2019, ano em que o Teatrão comemora 25 anos de existência, vai obrigar a companhia a “pensar e discutir as questões do poder”. No Dia Mundial do Teatro do próximo ano, a 27 de março, sobe a cena a representação de Ricardo III de Shakespeare, numa adaptação de quatro mulheres (Isabel Craveiro, Sofia Coelho, Cláudia Carvalho e Margarida Sousa).

No próximo ano a companhia leva ao FITEI – Festival de Teatro de Expressão Ibérica a dramaturgia do argentino  Maurício Kartum, “Ala de criados”. A peça estreia em junho de 2019 em Coimbra. O ano de aniversário termina com uma trabalho sobre a obra de do escritor Afonso Cruz, “Para onde Vão os Guarda-Chuvas”, uma colaboração com o grupo O  Bando.  

Arregaça o vale esquecido vai ser objeto de projeto comunitário

Tal como fez para a Baixa de Coimbra e a Rua da Sofia, o Teatrão vai voltar a estudar, para depois dar a conhecer em três espetáculos, a zona do Vale da Arregaça da cidade de Coimbra.

Na zona está instalado o bairro de habitação social Fonte do Castanheiro, o  campo do União de Coimbra e a Fábrica de Porcelanas que chegou a pertencer à Vista Alegre e agora está abandonada. O vale é atravessado pelo corredor da linha do caminho de ferro da Lousã que aguarda a substituição pelo “metro bus“. Local de memórias dos mais velhos é desconhecido de muitos dos habitantes da cidade. 

2021 vai ser o ano de “projeção do futuro”

A colaboração com o Instituto Pedro Nunes (IPN), estreita-se a partir de 2021 com o aprofundamento de temáticas como “o tempo como coisa essencial” e as “realidades virtuais” e como elas geram conflitos e/ou resolvem problemas. Isabel Craveiro revelou que o trabalho com o IPN já acontece, com a companhia da OMT a participar na transmissão de técnicas de comunicação.

 

Isabel Simões 

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2019-08-22T04:35:06+00:00
Thu, 22 Aug 2019 04:35:06 +0000