16/04/18

Portugal quer reforçar presença nas missões internacionais para a paz

A Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) foi hoje palco de um debate acerca da participação das forças portuguesas nas missões de paz da ONU, no âmbito da Semana das Relações Internacionais, que decorre até esta sexta-feira (20). O ministro da defesa, Azeredo Lopes, afirmou que o governo quer reforçar as missões externas das Forças Armadas, nomeadamente no âmbito das relações multilaterais na NATO e na ONU.

Portugal está cada vez mais representado a nível internacional, onde se pode destacar a nomeação de António Guterres para Alto Secretário das Nações Unidas. O Tenente Coronel da Cavalaria, José Crespo, destaca o bom desempenho das forças portuguesas nas missões de paz da organização.

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Ao longo da sessão da tarde ouviu-se muitas vezes a frase “o caminho para a paz nunca é fácil”. Exemplo disto é o caso da Colômbia, que viveu 53 anos de conflito armado interno e onde a violência assume muitas formas. O país é fortemente agrícola e sempre existiram disputas por causa da posse de terra.

As guerrilhas de inspiração marxista formam-se em 1964, e começam a existir tensões entre estas forças e o governo, que mais tarde resultam numa guerra civil. O Tenente Coronel afirma que nestes casos é necessário “forçar a paz”, e clarifica a expressão.

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Com vista a este objetivo, em novembro de 2016 é assinado um acordo de paz entre duas forças opositoras, o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, mais conhecidas por FARC. A ONU lança uma primeira missão de paz no país, onde estiveram presentes 14 elementos portugueses, para verificar o desarmamento e desmobilização das FARC, um dos pontos estipulados no acordo. Para José Crespo, apesar do passo não ser suficiente para assegurar a paz, é necessário.

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O Tenente refere ainda que o governo tem falhado em cumprir a sua parte, pois tem dificuldade em atuar no território dos grupos revolucionários. O processo de paz é acusado de falhar em responder às causas mais estruturais do conflito.

A Primeira Tenente, Mariana Duarte, que também interveio esta tarde, afirma que o mais essencial é resolver as desigualdades no país. Para a participante na missão da paz da ONU, as FARC apenas “querem viver em comunidade” e “desenvolver projetos sustentáveis”. Já para José Crespo, os maiores obstáculos à paz na Colômbia continuam a ser as guerrilhas e o narcotráfico.

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O Tenente acrescentou ainda que deve haver um esforço para tornar o Estado mais forte e capaz de responder às necessidades das pessoas. Mariana Duarte refere também a importância do desenvolvimento da cultura e da educação. Dada a crescente importância de Portugal no seio das Nações Unidas, o painel de oradores concluiu que o debate acerca da guerra e da paz deve ser aprofundado, e que as forças portuguesas devem aprender com as experiência já acumuladas.

Catarina Silva

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