25/02/18

Semearrelvinhas assinala 43 anos do Bairro com obras no espaço cultural

O edifício que já foi oficina metalomecânica, foi adquirido com a ajuda do Município de Coimbra. O espaço destinado a funções culturais e sociais já começa a ter as infraestruturas mínimas para acolher os moradores. O projeto do arquiteto João Mendes Ribeiro teve o apoio da Universidade de Coimbra (UC).

Foram muitos os amigos e amigas que discursaram e outros que marcaram presença, ontem, sábado, dia 24 de fevereiro, dia de aniversário da Associação de Moradores da Relvinha. A cerimónia teve lugar no novo espaço destinado à cultura e ao convívio dos moradores. O mestre de cerimónias foi o presidente da União de Freguesias de Eiras e de São Paulo de Frades, Fernando Abel.

Para a reabilitação a Cooperativa de Habitação Económica Semearrelvinhas contribuiu com 13 mil euros, a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) com 15 mil e a União de Freguesias de Eiras e de São Paulo de Frades com o trabalho de um homem a tempo inteiro. Por terminar está a intervenção na cobertura e no exterior e por concretizar os espaços da sede e da sala de computadores e biblioteca.

A secretária da direção da Semearrelvinhas, Cidália Machado Rodrigues iniciou os discursos com um apelo aos moradores para continuarem unidos na defesa do bairro e convidou-os a prestarem homenagem ao homem que nunca desistiu do sonho e sem o qual “nada seria igual”, Jorge Vilas, o presidente da cooperativa.

“A fama da Relvinha” já chegou a Bruxelas 

O docente do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, José Bandeirinha é “amigo” de longa data e falou de futuro que passa pelo apoio da União Europeia e que mais uma vez vai contar com estudantes para os trabalhos.

A diretora adjunta do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) representou o presidente da Coimbra-Capital Nacional da Cultura 2003, Abílio Hernandez. Porque foi na Coimbra-Capital Nacional da Cultura 2003 com o projeto “Relvinha.CBR_X” coordenado pela associação cívica Pro-Urbe, que se ocupou o espaço agora reabilitado e se desenvolveram atividades de intervenção cultural. O discurso de Abílio Hernadez foi lido pela jovem moradora, Carolina Campos.

A “amiga” Letícia Ribeiro, médica no Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, amiga de há 43 anos quando a Relvinha passou de um bairro de barracas de madeira a casas de habitação condigna , lembrou como a cooperativa continua “bem viva” e de como a participação nos trabalhos ajudou a “crescer” o grupo que colaborou, alguns deles estudantes na UC.

O sociólogo e antropólogo, João Baía, contou sobre como começou a interessar-se pelo bairro situado na zona norte da cidade de Coimbra. Foi como ator que a amizade despertou com a estreia da peça “A Guerra” do Círculo de Iniciciação Teatral da Academia de Coimbra, na Relvinha. Em 2012 a editora 100Luz publicou o livro “SAAL e Autoconstrução em Coimbra – Memórias dos moradores do Bairro da Relvinha 1954-1976” da sua autoria.

O arquiteto Vasco Pinto foi outro dos oradores, “amigo”, que já tinha colaborado no “Relvinha.CBR_X” com Luís Sousa e Tiago Hespanha. Ontem, assinalou o início do projeto em 2003 com iniciativas “quase surrealistas” e que resultaram de conversas de final de tarde em que participou a “amiga” Isabel Campante. Nesse ano, a partir de agosto, Carlos J. Pessoa desenvolveu no bairro um laboratório teatral e João Mendes Ribeiro um outro de arquitetura. Como resultado, em setembro de 2003, nos dias 5 e 6 foi apresentado um espetáculo que ficou na memória de todos. Na festa dos 43 anos desafiou os muitos, que não sendo do bairro, por lá passaram “muitas vezes”, a constituírem uma associação dos amigos do Bairro da Relvinha.

União de Freguesias homenageia Jorge Vilas, um “Homem Bom” 

O presidente da cooperativa “Semearrelvinhas”, Jorge Vilas, agradeceu a presença de todos e recordou que na Relvinha “o vento não calou a desgraça” mas fez dela a “sua luta e a sua bandeira de liberdade”. A emoção aconteceu quando lembrou o espetáculo que José Afonso deu no TAGV para angariar fundos a favor da Relvinha e com a lembrança da morte recente do antigo dirigente da cooperativa Gil Faria Castelo.

o presidente da União de Freguesias de Eiras e de São Paulo de Frades, Fernando Abel, realçou a importância da mobilização dos habitantes e da direção da associação, constituída na maioria por mulheres, para que as obras de requalificação do espaço tenham acontecido. Agraciou Jorge Vilas a quem chamou “Homem Bom” com uma medalha. Valorizou a presença da Universidade de Coimbra na participação no projeto.

Ao encerrar os trabalhos, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, sublinhou que o que faz a “qualidade de vida de uma cidade, de uma comunidade, de um bairro, são antes de mais as pedras vivas – são os moradores”. Recordou que em 25 de setembro de 2017 foi descerrada a placa toponímica de homenagem a um dos fundadores da Cooperativa Semearrelvinhas, Alfredo Sobral Martins. Lembrou ainda que nesse dia se tinha comprometido “sobretudo com os mais novos” a continuar “a contribuir para se fazer o que falta para a requalificação” do bairro.

Após os discursos teve lugar o concerto da Tocata do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC). Pode ouvir os discursos aqui. 

Isabel Simões

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