3/02/18

Jovens Portugueses elegem emprego e ambiente como prioridades para a Europa

O inquérito Eurobarómetro realizado em setembro de 2017 pela União Europeia (UE) a jovens entre os 15 e os 30 anos de idade, aponta para resultados diferentes de país para país. Enquanto a UE a 28 coloca no topo das prioridades para o futuro da Europa a educação, para os jovens portugueses é o emprego e o ambiente que estão no cimo das preocupações e só depois a educação.

A participação cívica e social, a participação em atividades de voluntariado, bem como a participação em projetos europeus de juventude, as prioridades e ações para a União Europeia foram os grandes temas abordados pelo inquérito cujo relatório foi publicado já este ano em janeiro.

Questões como a participação na Democracia (6%) e a liberdade de movimentos (15%) obtiveram a taxa mais baixa no número de respostas da parte dos 400 jovens portugueses inquiridos.

Em alguns países a votação é obrigatória para algumas eleições: Bélgica, Chipre, Luxemburgo e Grécia. A idade de votação é de 18 anos para a maioria das eleições nos Estados-Membros da UE, com exceção da Áustria, onde a idade de votação em geral é de 16 e as eleições locais em Malta e em algumas partes da Alemanha.

O deputado europeu do PSD, Carlos Coelho, em declarações à RUC chamou a atenção para a diversidade de respostas entre países e para a necessidade de os jovens portugueses participarem mais nas questões da Europa.

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A pertença a um clube desportivo está à frente de outras escolhas

Se contabilizarmos o número de respostas à pergunta – em quais das organizações já participou nos últimos 12 meses? – O resultado confirma a disparidade de resposta de país para país.

Embora na maioria dos países a pertença a um clube desportivo tenha a preferência, à exceção da Polónia em que os jovens preferem a pertença a uma organização cultural, 7% dos jovens da EU a 28 fizeram parte de um organismo político ou de um partido político no último ano.

Como mostra o gráfico seguinte, 9% dos jovens portugueses responderam ter pertencido a uma organização política, uma percentagem de respostas igual à dos jovens Suecos e Reino Unido.

A deputada europeia do Bloco de Esquerda (BE), Marisa Matias afirma que “não há muitas respostas para os jovens na Europa hoje”, indica no entanto como positivos alguns instrumentos como o programa Erasmus e o alargamento da UE por ter permitido chegar a jovens que viviam em condições económicas “mais desfavoráveis”. Quanto às questões de emprego a deputada do BE entende que apenas bolsas e estágios não garantem estabilidade no emprego.

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Ideias para a Europa: a importância do acesso à informação e do espírito crítico 

Os jovens europeus foram convidados a dar ideias para o futuro da Europa. Para isso foi-lhes solicitado que escolhessem de entre um leque de opções. O fácil acesso à informação sobre emprego e a promoção do espírito crítico obteve a maioria das respostas tanto em Portugal como na Europa a 28.

 

Em relação às questões relacionadas com a era digital, Marisa Matias não vê nenhuma resposta da parte da Comissão Europeia que tenha em conta as preocupações dos jovens, com exceção de soluções temporárias que têm a ver com legislação e com Eramus.

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Dos jovens inquiridos os portugueses são os que mais gostam do programa Erasmus + 

Os jovens portugueses são os que se sentem mais entusiasmados com iniciativas do tipo Erasmus+ e Corpo de Solidariedade. O número de respostas dos jovens portugueses que concordam que estes programas os aproximam da Europa (88%) está acima dos jovens da UE a 28 (67%) e longe das respostas dos jovens da Suécia (38%).

A taxa de jovens portugueses inquiridos que abandonaram os estudos a tempo inteiro entre os 16 e os 18 anos ronda os 40%

Os portugueses inquiridos que continuam a estudar rondam os 36%, uma percentagem mais elevada do que os jovens inquiridos no Reino Unido (26%) mas abaixo dos jovens dinamarqueses (61%) e mesmo da EU a 28 (39%). Abandonaram os estudos com 15 anos ou menos, 4% dos portugueses que responderam ao inquérito. Dos jovens portugueses que participaram, 40% abandonaram os estudos a tempo inteiro entre os 16 e os 18 anos.

Um dos resultados curiosos deste inquérito mostra que 99% dos jovens europeus que responderam têm telefone móvel. Outro resultado interessante dá uma ideia aproximada dos locais onde habitam os jovens dos 15 aos 30 anos. Na Europa a 28 vivem num meio rural ou vila  28% dos jovens,  em Portugal 33%. Vivem numa cidade média 39% dos jovens inquiridos na EU a 28, em Portugal 40%. Vivem numa grande cidade 33% dos jovens da EU a 28, em Portugal  apenas 26%. 

Lembramos que o comissário europeu da Educação, Cultura, Juventude e Desporto, Tibor Navracsics recebeu, na última quarta-feira, dia 31 de janeiro, em Bruxelas, um grupo de 100 jovens oriundos de vários países europeus para debater o futuro da Europa. A visita  realizou-se no âmbito da cerimónia de encerramento da iniciativa Nova Narrativa. O projeto pretendeu dar voz às comunidades artísticas, culturais, científicas para articular o que a Europa quer para o futuro. Ficha técnica do inquérito e mais informações aqui.

Isabel Simões 

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