30/01/18

Pacheco Pereira apresentou Ephemera no Café Santa Cruz

O historiador, Pacheco Pereira esteve no café Santa Cruz, no último sábado, para uma conversa sobre a sua biblioteca e arquivo Ephemera. “O que fazemos é andar aos papéis”, anunciou o historiador para explicar a constituição do arquivo que passa por guardar desde faixas de manifestações, a comunicados ou espólios de cidadãos. Na Ephemera podem ser encontrados tanto o espólio de Palma Inácio como os autocolantes dos partidos políticos ou a correspondência entre uma costureira e um empregado de escritório.

Durante a sessão Pacheco Pereira referiu a importância da recolha de objetos nas últimas Eleições Autárquicas em que se realizaram cerca de 12 mil campanhas das quais a Ephemera  conseguiu o espólio de cerca de 2000. No Café Santa Cruz foram depositados os materiais sobre as últimas autárquicas da cidade de Coimbra, a memória das Eleições Autárquicas “o pouco que existe” está no arquivo do historiador. O brinde novo da última campanha foi um chapéu de plástico, revelou Pacheco Pereira.

O arquivo privado que “tem intenção de se tornar público” aguarda a publicação de uma lei “mais favorável às pequenas fundações”, afirmou. Por enquanto o historiador pretende constituir uma associação cultural sem fins lucrativos e conta já com um grupo de 150 colaboradores, todos voluntários.  

Foram também abordados alguns dos aspetos da crise académica de 69 em Coimbra. Uma crise que apelidou de “sui seneris”. À RUC explicou porquê.

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A Crise de 69 em Coimbra foi um movimento “com uma grande adesão e uma grande dimensão e atingiu um grau de radicalização como a greve aos exames que não é fácil de fazer nessa época” mas à data do 25 de abril de 1974, Coimbra “não era a Universidade mais radical” na luta contra o regime, na opinião de Pacheco Pereira.

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A Ephemera possui um espólio do jornal da Associação Académica de Coimbra (AAC), Via Latina. O historiador destaca o impacto das publicações estudantis de que o jornal da AAC é um exemplo, pela influência que têm ao colocar “no papel e no texto um mundo de reivindicações” alheias ao mundo vigente o que “num país clandestino” acaba por ter “muita força”.

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De manhã Pacheco Pereira e os voluntários da Ephemera estiveram na Figueira da Foz onde o Ginásio Figueirense vai ser ponto de receção da documentação destinada ao Centro de Documentação da Marmeleira a localidade onde nasceu a biblioteca e arquivo Ephemera. No próximo 1111 vamos trazer-lhe um pouco mais da sessão do último sábado em Coimbra.

Isabel Simões

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