9/01/16

Retrospectiva de 2015

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Passado mais um ano de acontecimentos e lançamentos musicais, a RUC apresenta a selecção do que mais marcou a sua emissão de 2015. Os balanços que se seguem em ordem alfabética foram curados pelos nossos locutores individualmente ou pelos grupos que compõem os programas da nossa grelha. Sem mais demoras:

Afonso Ponto (EEL Sessions)

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(sem ordem específica)

LPs
Labyrinthine – II V
Blue Daisy – Darker Than Blue
Vince Staples – Summertime 06
Travis Scott – Rodeo
Helena Hauff – Discreet Desires
Marshall Applewhite – Human Individual Methamorphosis
Hanz – Reducer
CN – Artifacts
S.Maharba – Most Forgotten

EPs/Maxis
DMX Krew – 5 Ways to Jack
R-Zone 10
Enjineer – Public Housing
Visonia – Nausicaa
DJ Slyngshot – Cycles
Powell – Sylvester Stallone
Godless Contemporary Meatsacks of Virtue
MNLTH – Flektro + Time
Nazar – Massacre
Imaabs – Distancia
Dreamcrusher – Hackers All of Them Hackers
Drvg Cvltvre – Grawvurr
Slacck – Backwards Light

Compilações
Matskuuuu Dajormas
Naafi Pirata Vol.2
Earwiggle – 8 Wigglin’ Ways To Die
Colundi Every1
TXTLR – Thick As Thieves
Lux Rec – The Dying Lights
ClanDestine – Kult Acid

Menções honrosas
John Tejada – Signs Under Test
Nosaj Thing – Fated
-=UHU=- – The Album
Felix Laband – Deaf Safari
Kneebody & Daedelus – Kneedelus
Drvg Cvlture – Sorry 4 Da Weight
Nathan Fake – Glaive
Laura Clock – Baby Part I
Lorn – Vessel
Tsuruda – Rawflavor
Rolando Simmons EP
D’arcangelo – Periscope
Aphex Twin’s Soundcloud dump

 

Ana Sofia Machado (Pedra Pomes, Kepler, Peta-Zetas)

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Para mim 2016 foi rico mas percebo pouco do mercado. Estes foram os trabalhos que abrilhantaram o meu ano a nível musical.
Kendrick Lamar –To Pimp a Butterfly
Deerhunter – Fading Frontier
Helen – The Original Faces
Spencer Radcliffe – Looking In
Mounk Parker – How The Spark Loves The Tinder
Trust Fund – No One’s Coming For Us
Panda Bear – Panda Bear meets the Grim Reaper
Sufjan Stevens – Carrie and Lowell
Beach House – Depression Cherry
Dj Richard – Grind

 

Carlos Braz (Suburbano, Kalundu)

CAPA

Melhores Edições 2015 – Hip-Hop Português

Corona – Lo-Fi Hipster Trip :: “Caguei prás tuas merdas, o Hip-Hop não tem regras…”
Esta será talvez uma das máximas mais importantes da dupla dB e Logos, retirada do seu álbum de estreia “Lo-Fi Hipster Sheat” e transposta este ano para “Lo-Fi Hipster Trip”. Se o anterior disco foi editado em K7, este apresenta-se num pouco ortodoxo formato de caixa de comprimidos.
“Lo-Fi Hipster Trip” mostra a evolução da personagem Corona, que ao hidromel e aos cogumelos, acrescenta agora a Heroína, numa realidade retratada com a ajuda de Chester (RealPunch), Kron Silva, Frankie Diluvio (Blasph), Skillaz, Jim Morrisson da Pasteleira (Álvaro Costa) e Alferes M.
A sua sonoridade revela uma cadência mais “stoner”, puxando à memória os temas mais lentos de ‘Cypress Hill’, com o jogo de vozes e os interlúdios a transportar-nos para dentro de um sonho, neste caso de uma “trip”, com o toque humorístico a que já nos habituaram no primeiro disco.

Vulto – As Irmãs Reúnem :: Tal como o próprio nome indica, apareceu que nem uma sombra no Bandcamp, no final do ano passado, tendo o seu EP “Surrealismo XPTO” a meias com L-Ali, escapado à esmagadora maioria dos tops anuais. A quantidade de trabalho lançado desde então por este produtor é notável, contendo a sua sonoridade um cariz experimental e de difícil caracterização. Numa tentativa de a representar, para quem ainda não ouviu, basta imaginarmos um casamento da crew Odd Future com Flying Lotus, ao som de Madvillainy de MF Doom e Madlib.
“As Irmãs Reúnem” junta alguns dos MCs menos convencionais do RAP português, num registo negro e melancólico, onde figuram Tilt, Revo T, Big P, Blasph, L-Ali, Jota e Mike El Nite.
Este disco acaba por funcionar como pontapé de saída da irmandade que promete mudar profundamente o RAP português.

L-Ali – O Conto :: Notabilizou-se “a convite do Vulto” no EP “Surrealismo XPTO”, em 2014, mas foi este ano que se estreou a solo com álbum próprio. Deu-nos as boas vindas ao seu Conto, juntamente com Mike El Nite, no seu “Bang!Hello”. A sua voz grave e a sua lírica corrosiva carregam consigo uma multiplicidade de significados sobre instrumentais hipnóticos, transportando-nos para o seu universo numa abordagem diferente do que tem sido apanágio em Portugal. “O Conto” serviu como álbum de estreia da editora “Crate Records” de Razat, que de resto, foi a quem ficou atribuída a criação da maior parte dos instrumentais, contando ainda com Pesca e o inevitável Vulto.

Allen Halloween – Híbrido :: É quase um dado adquirido que quando a “bruxa” edita, sai mais um clássico. O seu feitiço estende-se a todos os níveis nos seus discos, sendo ele o autor, não só das rimas como da quase totalidade dos instrumentais. Em “Híbrido”, Halloween aborda assuntos mais actuais, sem perder o seu cunho negro, cru e pesado, num disco onde se evidencia uma maior aproximação ao Grunge, um dos seus géneros musicais de eleição. Como não poderia deixar de acontecer, faz-se acompanhar pelos seus tropas da Youth Criminals, onde é possível destacar Buts MC, o único totalista dos três discos de Halloween. A grande surpresa reside no regresso de General D, um dos pioneiros do RAP português e influência maior no líder da Kriminals Família.

Nerve – T&C/AVNP&NMTC :: Estreou-se nos álbuns em 2008 com ENPTO (Eu Não das Palavras Troco a Ordem), onde mostrou ao mundo toda a sua versatilidade, quer como MC, quer como produtor. Longos 7 anos passaram, sem que isso significasse necessariamente uma paragem. Foi fazendo colaborações em discos e mixtapes, que culminaram na compilação “Palha, Paus e Pérolas”. Como aperitivo para o novo disco, editou o EP “Água do Bongo”, no final do ano passado. 2015 foi o ano de regresso do Sacana Nervoso com ‘Trabalho & Conhaque’ ou ‘A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança’.
Neste disco, Nerve apresenta-se num registo mais egocêntrico e a prova disso começa na lista de faixas onde não existe qualquer colaboração externa, no que a MCs diz respeito. Os temas giram que nem luas em torno do seu génio, onde exalta o seu ego e espelha as suas ansiedades, paranóias e inseguranças, por vezes de forma quase esquizofrénica, tanto no flow como na oscilação de sentimentos, durante as faixas. Os instrumentais ficaram maioritariamente a seu cargo, excepção feita a Notwan, Pedro o Mau (Vulto) e Keso.
A espera traduziu-se assim numa maturação, a todos os níveis, quase como que de um whisky se tratasse, ficando apenas a certeza que ‘A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança’.

Slow J – Free Food Tape :: Caiu de para-quedas no panorama nacional conquistando instantaneamente o seu espaço. Free Food Tape tem de tudo, desde as rimas com flow mais corrido, aos temas mais cantados, ora mais rápido, ora mais lento, por vezes mais melodioso, outras vezes mais agressivo.
Para um EP de estreia, a sua maturidade impressiona a todos os níveis, onde nada parece ser deixado ao acaso.
Este EP vai muito para além das fronteiras do Hip-Hop, dada a quantidade de sonoridades que abraçam a voz de Slow J. Os limites da sua versatilidade são ainda uma incógnita, restando apenas esperar que o próximo ano nos esclareça sobre a sua real dimensão.

VULTO. & Secta – Marcha :: Ficámos a conhecer a Secta na festa de apresentação da compilação “Às Beiras do Hip-Hop”, onde se fez acompanhar com o resto da sua crew, em representação da Marinha Grande. Não foi difícil de reparar no seu conteúdo lírico. Os seus trocadilhos deixam o ouvinte ainda a descortinar genialidade da rima anterior, enquanto Secta já vai na meta. “Marcha” não foge à regra-, apimentado pelos beats do Vulto, é daqueles EPs onde, à quinta audição ainda pomos as mãos à cabeça com o múltiplo sentido que acabámos de descobrir, por entre as diversas figuras de estilo que o acompanham. É desta forma que a sua escrita adiciona camadas ao disco, transformando a sua interpretação numa deliciosa caça ao tesouro.
Vilão – Mau da Fita :: A sua presença no panorama Hip-Hop nacional não é nova e a prova disso mesmoé a Astro Records. O seu trabalho como patrão da editora tem se vindo a fazer notar indirectamente pelas edições de, entre outros, Profjam e Mike El Nite, que foram abrindo caminho à sua estreia.
No final do passado ano, foi a vez de Vilão se chegar à frente assumindo-se como o “Mau da Fita”, no seu primeiro álbum. Este é um registo de cariz mais autobiográfico, com instrumentais criteriosamente seleccionados do vasto leque de produtores que integram este trabalho, que vão de Holly a METAMVDNESS, passando por Ghost Wavvves até ao polivalente King Kong.
Nas rimas, fez se acompanhar por nomes como Mike El Nite, Blasph, Bispo, tendo contado ainda com DJ Ride a arranhar os pratos num dos temas.

Mike El Nite – Vaporetto Titano :: Havia editado o seu primeiro EP “Rusga Para Concerto Em G Menor” há sensivelmente 2 anos, de onde saiu o tema que o popularizou “Mambo nº1”, com Profjam e com a voz de João Maria Tudela como base.
O ano que agora findou terá sido o ano de afirmação de Mike El Nite. Foi indubitavelmente um dos MCs mais requisitados para colaborações, tendo sido presença assídua na maioria dos lançamentos de relevo do ano.
A confirmar o seu valor veio mais um trabalho, em forma de EP, Vaporetto Titano, quase que numa homenagem ao famoso aspirador vendido nas televendas.
Neste disco gratuito de 6 faixas, Mike El Nite faz o que sabe fazer de melhor através da sua rima rápida e de referências tão vastas como o cinema ou banda desenhada, criando imagens na cabeça dos ouvintes, sobre instrumentais mais electrónicos. A ajudá-lo nesta tarefa, conta com Da Chick.
Espera-se que 2016 seja um ano com muito Nite para dar ao RAP português.

Melhor Álbum: Nerve – T&C/AVNP&NMTC
Artista do ano: VULTO.

 

Fahrenheit 107.9

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#1 – Sleater-Kinney – No Cities To Love
#2 – Fuzz – II
#3 – Viet Cong – Viet Cong
#4 – Pond – Man It Feels Like Space Again
#5 – The Soft Moon – Deeper
#6 – Godspeed You! Black Emperor – Asunder, Sweet and Other Distress
#7 – Moon Duo – Shadow Of The Sun
#8 – Thee Oh Sees – Mutilator Defeated At Last
#9 – Uncle Acid And The Deadbeats – The Night Creeper
#10 – Föllakzoid – III

 

Francisco Monteiro (Gondwana, Dubplate, Ensample)

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5 Albuns:
St Germain – Real Blues [Parlophone]
Petre Inspirescu – Vin Ploile [Mule Musiq]
Moritz Von Oswald Trio – Sounding Lines [Honest Jon’s]
Hiatus Kaiyote – Choose Your Weapon [Flying Buddha]
DJ Sotofett – Drippin’ For Tripp (Tripp-A-Dub-Mix) [Honest Jon’s]
5 EPs/Singles/Maxis:
Polar Inertia – Kinematic Optics EP [Dement3d Records]
Dan Shake – Shake Edits 1 [Shake]
Nu Guinea – World EP [Tartelet Records]
Normal Nada – Transmutação Cerebral [Príncipe Discos]
HOSTOM – 001 [HOSTOM]
5 Re-edições:
Marc Moulin – Sam Suffy – 40th Anniversary Edition [Music On Vinyl]
Ata Kak – Obaa Sima [Awesome Tapes From Africa]
Exos – My Home is Sonic [Delsin]
Martin Dumas Jr – Attitude, Belief & Determination [BBE]
The Weeknd – House of Balloons [Republic Records]

 
João António Sousa (Spinning Jenny, Kepler)

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55 faixas (ordem alfabética)

alex bau . back to space
and.id . frozen
antigone . prime mover
artefakt . the fifth planet
atom™ & tobias . physic e7532
bendejo . unravel
blawan . diatonic valves
buffered multiple . mark 1.12
cem orlow . lightfield
daniel avery . sensation
daze . death whirl
death grips . i brake mirrors with my face in the united states
delta funktionen . mutant society
didier dlb . daisy
donato dozzy . exit the acropolis
eomac . heretic
f.u.s.e . them
flogo . acamantis
forgotten figures . 1.2
gesloten cirkel . real melbourne house
hannu ikola . mystery object
housemeister . 4th dimension
i/y . 0000.061
ike yard . loss [regis version]
in aeternam vale . valium water
iori . axis
josh . deeply contented
kangding ray . dark baker
kink . cloud generator
klankman . boss
kobosil . avernian
laurent garnier . confused [voiski acid mix]
lucy & klock . war lullaby
marc baker . the system
max perow . black soul
noel gallagher’s high flying bird . in the heat of the moment [andrew weatherall remix]
objection . quantum
perth drug legend . hillend hyper squad
peter van hoesen . drift
rasmus hedlund . corner skanks
red axes . na da
reflec . pad acid
regal . repeat
ricardo villalobos . rabbit over
rrose . vellum
son kite . synesthesia [marcus henriksson remix]
svreca . mountain-splitter [surgeon remix]
tarquin manek . sassafras gesundheit
tensal . ca2
trevor jackson . nowhere
tzusing . 4 floors of whores
varg . no knowledge of sorrow or regret [abdulla rashim remix]
vernon felicity . fake profile
voiski . galaxy call
vsk . drunk arrow

15 editoras (ordem alfabética)

blackest ever black
cleaning tapes
delsin records
etherwerks
involve records
kippschalter
lobster theremin
m>o>s recordings
mord records
ostgut ton
raster-noton
resin
semantica records
ternesc
th ± tar hallow

 

João Baptista (Kepler, Chill Pill)

Regis, "Blood Witness"

X X I I I lançamentos (a ordem é irrelevante):

Kerridge – Always Offended Never Ashamed [C O N T O R T]
Regis – Manbait [Blackest Ever Black]
Carter Tutti Void – f(x) [Industrial Records]
Alva Noto – Xerrox Vol.3 [Raster Noton]
William Basinski – The Deluge [Temporary Residence Limited]
Elite Athlete – Californian Rites 12” [Cult Trip]
Wiegedood – De Doden Hebben Het Goed [Consouling Sounds]
Jeff Bridges – The Sleeping Tapes [self-released]
Helm – Olympic Mess [PAN]
Stephen O’Malley – Gruidés [DDS]
Demdike Stare – The Age Of Innocence
Acronym – June [Northern Electronics]
Prurient – Frozen Niagara Falls [Profound Lore Records]
Powell – Sylvester Stallone 12” [XL Recordings]
Mgla – Exercises in futility [No Solace]
Vainio & Vigroux – Peau Froide, Leger Soleil [Cosmo Rhythmatic]
New Order – Music Complete [Mute]
V.A. – Drone-Mind//Mind-Drone Vol.4 [Drone Records]
Z G A – Garganta Arranhada [Tosse]
Herr Doktor – Wave Goodbye [Illuminated Paths]
Ahnnu – Perception [Leaving Records]
Aphex Twin – Selected Ambient Works, Volume II [Warp] (não, não é de 2015)
Russell Haswell – As Sure As Night Follows Day [Diagonal]

 

José Sousa (Dead Strobe, Kepler)

Tati

 TOP 10 FAIXAS DE FUNK CARIOCA: Do mais meloso, à ostentação. O Funk ’15 em retrospectiva.
10. Lexa – Para de Marra
9. MC Bockaum – Ela Causa
8. MC Duduzinho – Paradinha
7. MC Brinquedo – Roça Roça (Flying Buff Trap Remix)
6. MC Tati Zaqui – Água na Boca
5. Pikeno e Menor – Amiga Parceira
4. MC Tati Zaqui – Eu Vou, Eu Vou (Parara-Tim-Bum)
3. MC Menor do Chapa part. MC Pedrinho – 10 Mandamentos
2. Biel – Demorô
1. MC João – Baile de Favela”

 
Miguel Marques

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Concertos:
1) Arca – Sónar Festival
2) Ben Frost – Teatro Maria Matos
3) Evian Christ – Sónar Festival
4) Kraftwerk – Coliseu de Lisboa
5) Atom Heart – Sónar Festival

DJ Set – Laurent Garnier (Sónar Festival)

Editoras:
– Principe Discos
– PC Music
– Numbers
– XL Recordings

Albuns:

Oneohtrix Point Never – Garden of Delete
Holly Herndon – Platform
Sufjan Stevens – Carrie & Lowell
Arca – Mutant
Elysia Crampton – American Drift
Kendrick Lamar – How to Pimp a Butterfly
Hieroglyphic Being & J.I.T.U Ahn-Sahm-Buhl – We Are Not The First
Dr.Dre – Compton
Jamie xx – In Colour
Grimes – Art Angels
Björk – Vulnicura

 

Líquido RUC

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As mais rodadas de 2015 na categoria Drum and Bass

Ivy Lab – Twenty Questions [Critical Music]
Skalator – Clipper Madness [N/A]
Halogenix – Too Good ft. Zoe Klinck [Critical Music]
Bungle – Fast Forward [ThirtyOne Recordings]
Sam Binga ft. Redders – Lef Dem [Critical Music]
Moresounds – Altercations [Astrophonica]
DRS ft. Dub Phizix – Diablo [Soul:R]
Om Unit & Sam Binga – Onionz [BUNIT]
Dub Phizix & Strategy – Buffalo Charge [Senka Sonic]
Lenzman – Paper Faces ft. Martyna Baker (Ivy Lab Remix) [Metalheadz]
Friction & Ulterior Motive – Curfew [Shogun Audio]
Red Army – Ghost Ship (VIP Mix) [Onset Audio]
Jam Thieves – Vacation [Radius Recordings]
Krakota – Arcades [Hospital Records]
Concord Dawn – Gumshoe [Uprising Records]
Squash – Laser! [N/A]
Subtension – AK47 [Renegade Hardware]
Scar – Twice Shy [Dispatch Recordings]
Ivy Lab – Sunday Crunk (Mefjus Remix) [Critical Music]
Spor – Full Colour [Sotto Voce Records]

Por Paulo Zacarias

 

Pedro Nora (Peta-Zetas, Fahrenheit 107.9)

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2 8 1 4 – “新しい日の誕生  :: O tipo de banda-sonora que se ouviria num DeLorean acabado de regressar do futuro retratado em “Blade Runner”.

Algiers – “Algiers” :: A gospel infernal do século XXI, cantada com uma paixão tão quente quão macabra. O perfeito exemplo musical de como a inovação electrónica pode aprimorar uma sonoridade quase lendária para os tempos modernos.

All We Are – “All We Are” :: Pop sem pretensões, mas cheia de perfeccionismos melodiosos e peculiaridades orelhudas.

Benjamin Clementine – “At Least for Now”  :: Uma voz marcante, poderosa e (acima de tudo) sincera faz deste disco uma das escolhas musicais imprescindíveis não só do ano mas da década. Um trabalho que certamente se revelará tão influente como as estreias musicais de ícones como Tom Waits ou Nina Simone.

Clarence Clarity – “No Now” :: Apropriando (e adaptando) a citação final dum disco emblemático: “There is no dark side of pop music, really. Matter of fact, it’s all dark.”

Domenique Dumont – “Comme Ça” :: Se alguma vez tiverem de escolher um disco para levar convosco para uma ilha deserta, escolham este. No pior dos casos, sempre a transformará numa zona tropical.

Donnie Trumpet & The Social Experiment – “Surf” :: Num ano repleto de mixtapes que quase semanalmente geravam clubismos rivais, esta estreia do colectivo apadrinhado por Chance the Rapper destaca-se por ser dos poucos que descarta esse objectivo competitivo, realçando o lado mais risonho da música urbana.

Ecstatic Vision – “Sonic Praise” :: Em tempos que os sub-géneros do psych e do stoner dominam os planos do rock, um trio-maravilha de Philadelphia esforçou-se por alcançar o respectivo espaço sideral. Fazendo jus ao nome do disco, trata-se de um trabalho merecedor de louvores sonoros.

Floating Points – “Elaenia” :: O tipo de disco que, na sua conjugação lapidar não só de sons orgânicos e computadorizados mas também de géneros musicais, só prova quão imprópria (e desnecessária) a classificação musical pode ser hoje em dia.

Future – “Horizons” :: Oriundos de Paris, esta banda mescla honradamente as estáticas guitarreais do shoegaze com as pulsações beligerantes do noise. O resultado é um híbrido musical mais apelativo do que se pensa.

George Clanton – “100% Electronica” :: Pop de quarto desarrumado, onde as harmonias de um Ariel Pink ou John Maus são revestidas com roupagens ainda mais provocantes.

Kamasi Washington – “The Epic” :: Muitos discos retratam um mundo próprio, mas poucos são os que sucedem no escopo herculano de retratam um universo próprio. Ambicioso e fatigante, tal como as grandes jornadas o devem ser.

Kendrick Lamar – “To Pimp A Butterfly” :: Com uma mensagem incontornável e valorosa, muito já se escreveu sobre o trabalho mais recente do jovem rapper de Compton e muito mais se irá escrever. Tal é a sina das grandes obras de arte.

Neon Indian – “VEGA INTL. Night School” :: Tese de mestrado da pop vanguardista, que vai tanto bebericar às fontes de água de ontem como à máquinas de refrigerantes do amanhã. Apesar das cábulas, é um óbvio 20.

Pinkshinyultrablast – “Everything Else Matters” :: Um colectivo oriundo de S. Petersburgo que criou uma maravilha pop, misturando sensibilidades tão distintas como a natureza etérea dos Cocteau Twins com a índole rítmica dos Caribou.

Royal Headache – “High” :: O aguardado segundo disco de Shogun e os seus capangas, que mais uma vez revela o punk australiano como o mais aprazível (o que não significa brando) de todo o mundo. Tomara a muitas bandas de garagem conseguirem ter esta melodia natural.

Shye Ben Tzur, Jonny Greenwood and the Rajasthan Express – “Junun” :: O guitarrista dos Radiohead viaja ao outro lado do mundo e como resultado apresenta um disco que transcende tanto tradições sonoras como fronteiras culturais.

Siskiyou – “Nervous” :: O canadiano Colin Huebert, cantautor a cargo desta banda, foi diagnosticado com hiperacusia, uma doença rara que afecta a sua audição. Ironicamente (ou extraordinariamente) tal não lhe impediu de assinar um dos trabalhos de folk meticulosamente afinada dos últimos tempos.

Timbre – “Sun & Moon” :: Um conjunto orquestral que pega na folk como ponto de partida para um dos albuns conceptuais mais ambiciosos dos últimos tempos (sobre a dialética entre a luz e a escuridão) e acaba por se revelar como um dos exemplos mais magníficos da pop barroca.

Viet Cong – “Viet Cong” :: Embora as vertentes posteriores do punk estejam longe de morrer (ao invés, supostamente, da vertente originária), os Viet Cong revelam-se cada vez mais como o raro testemunho solene dessas correntes mais voláteis do rock. A banda ideal para ver ao vivo quando o mundo estiver para acabar.

 

Ricardo Sardo (Re-make//Re-model)

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Nesta época festiva torna-se quase uma imposição fazer-se um resumo da matéria audível que mais impressionou no corrente ano. Elaboram-se, por esse motivo, as ditas listas que ilustram o percurso individual pelos chamados “melhores do ano”, sejam discos, livros, filmes, concertos e por aí em diante. Sempre com alguma dificuldade, fez-se a escolha possível, sendo que a esmagadora maioria das reedições que são destacadas tiveram honras hertzianas no Re-Make/Re-Model. De todas as reedições, a que teve o dedo da editora norte americana Light In The Attic, que editou 5 discos de Françoise Hardy, merece um louvor particular. Já o destaque de 2015 em termos discográficos recaiu sobre a carioca Elza Soares, porque apesar da sua já provecta idade, foi capaz de nos levar às cavalitas num trapézio sem rede, tendo sempre em mente que esta foi uma mulher que comeu o pão que o Diabo amassou e ainda se sente capaz de vociferar, espernear e encantar numa vertigem que não nos engole, mas nos abraça bem forte. Quando falamos das performances em palco, os olhares voltam-se, naturalmente, para os históricos Kraftwerk. Eles que, mesmo reduzidos a Ralf Hütter, brindaram os presentes na Casa Da Música, em Abril de 2015, com um espetáculo a todos os títulos notável.

Discos:
# Elza Soares – “A Mulher do Fim do Mundo”
# The Apartments – “No Song, No Spell, No Madrigal”
# Daniel Knox – “Daniel Knox”
# Ian Simmonds – “The Right Side of Kind”
# Kendrick Lamar “To Pimp a Buterfly”
# C Duncan – “Architect”

# Annabel (Lee) – By The Sea …And Other Solitary Places
# Boogarins – “Manual”
# Dick Diver – “Melbourne, Florida”
# The Monochrome Set – “Spaces Everywhere”
# Tame Impala –  “Currents”

Reedições:
* Françoise Hardy – 5 discos (Light in The Attic)
* The Au Pairs – “Playing With a Different Sex” (Pias)
* Various Artists: “Ork Records: New York, New York” (Numero Group)
* Lloyd Cole & The Commotions – “Collected Recordings 1983-1989” (Universal)
* Red House Painters – Boxset (4AD)
* Go-Betweens  – “G Is For Go Betweens” (Domino Records)
* David Bowie – “Five Years” (Parlophone Records)
* Lush – “Chorus” (4AD)
* Gong – “The Radio Gnome Invisible Trilogy” (Charly Records)
* Arthur Russell – “Corn” (Audika)
* Doug Hream Blunt – “My Name is Doug Hream Blunt” (Luaka Bop)

Concertos:
# Kraftwerk (Casa da Música / Porto)
# Daniel Knox (Salão Brazil / Coimbra)
# Ride (Nos Primavera Sound / Porto)
# Caribou (Nos Primavera Sound / Porto)
# Spiritualized (Nos Primavera Sound / Porto)
# The New Pornographers (Nos Primavera Sound / Porto)
# Patti Smith (Nos Primavera Sound / Porto)
# Benjamin Clementine (Teatro Aveirense / Aveiro)

 

Santos da Casa

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Melhor Disco/Album

1 – HIGHWAY MOON – Best Youth
2 – QUARTO CRESCENTE – Márcia
3 – SUR LIE – Grutera
4 – AUTO-RÁDIO – Benjamim
5 – GUITARRA MAKAKA : DANÇAS A UM DEUS DESCONHECIDO – Tó Trips
6 – MENSAGENS DA NAVE MÃE – PZ
7 – A VIAGEM DOS CAPITÃES DA AREIA A BORDO DO APOLO 70 – Os Capitães da Areia
8 – COCLEA – Coclea
9 – ARQUEOLOGIA – Balla
10 – THE BEAST SHOUTED LOVE – Beautify Junkyards
11 – NAVIA – Emmy Curl
12 – EDEN’S INFERNO – Mancines
13 – VOYAGER – Mirror People

MELHOR EP/SINGLE 2015
1 – SERENDIPITY – Isaura
2 – JANEIRO – Janeiro
3 – BÚSSOLA – Bússola
4 – FRANCIS DALE – Francis Dale
5 – AMOR VEZES QUATRO – Ermo
6 – LOVE AND FORGIVENESS – Vaarwell
7 – GUARDA-RIOS – Homem em Catarse
8 – LADYBUG – Ladybug
9 – GOOD NEWS FOR GIRLS WHO HAVE NO SEX APPEAL – Moonshiners
10 – CORES – Marco Luz
11 – GRINGO IN SÃO PAULO – Rita Braga
12 – EMERGE – Secret Symmetry
13 – PÃO, ÁGUA, RIMAS & INSTRUMENTAIS – Ruze

MELHOR BANDA AO VIVO 2015

1 – CRIATURA (Bons Sons, Salão Brazil)
2 – D’ALVA (SBSR, Bons Sons)
3 – ISAURA \ FRANCIS DALE (Lux, Salão Brazil)
4 – BENJAMIM (Casa das Artes, Bons Sons, D’Bandada)
5 – BEST YOUTH (Corredor da RUC, Salão Brazil, Hard Club)
6 – DIABO NA CRUZ (Oficina Municipal do Teatro, Anadia, Bidoeira)
7 – GHOST HUNT (Salão Brazil, Aqui Base Tango)
8 – VICTOR TORPEDO E AMIGOS (Salão Brazil)
9 – RIDING PÂNICO (Bons Sons)
10 – DEAD COMBO (Jardim da Sereia, Alive)
11 – THE QUARTET OF WOAH (Salão Brazil)
12 – NORBERTO LOBO (Salão Brazil)
13 – JÚLIO RESENDE (Bons Sons)

MELHOR TEMA 2015

1 – TARRAFAL – Benjamim
2 – SHALLOW END – Ghost Hunt
3 – MIRRORBALL – Best Youth
4 – AINDA É CEDO – Luís Severo
5 – MARGINAL – Fandango
6 – RAINBOW GARLAND – Beautify Junkyards
7 – CASHMERE – Ladybug
8 – 3/4 DE BÔ – Cachupa Psicadélica
9 – EVA – Grutera
10 – A INSATISFAÇÃO – Márcia
11 – LOVE – Coclea
12 – MEDUSA – Capicua com Valete
13 – HEAT – Glockenwise

ESPERANÇAS / APOSTAS PARA 2016

Alma Mater Society :: Anos 80 negros. Muito pós punk. Joy Division, The Chameleons, The Sound, entre outras influências assumidas. Sem medo de ser frontal e fazer aquilo de que se gosta com qualidade. Em 2015 gravaram uma demo caseira, que nos deixou um punhado de belas canções. De momento a banda está em negociações com a mítica 4AD para edição do seu disco em 2016. Têm tudo para triunfar, pois o som que praticam afinal está cada vez com mais alma.

Bøde :: Bode é um. Guitarra, pesada. Doom. Negro. Aqui e ali umas pitadas de electrónica. Intenso. Por onde passa deixa marcas no corpo. Em 2016 vai editar uma cassete a meias com a Lovers & Lollypos e  ao que se sabe vai saltar a fronteira para tocar. Um bode de Coimbra para o mundo!

Captain Boy :: Captain Boy é o alter ego de Pedro Ribeiro. Uma voz rouca na pele de um contador de histórias. Em 2015 teve distribuição pela Universal do seu ep de estreia e tocou no SBSR. Esperamos que este novo ano seja de mais palcos, mais sons e mais gente a querer ouvir este interessante criador.

Criatura :: Esta Criatura nasce de um projecto pessoal de um único músico mas em palco aparece com 11 cabeças e ainda com 30 convidados. “Aurora” é nome de disco que está a surgir e que levará ao mundo algo que alguns já conhecem de uns poucos palcos.

Fazenda :: Um EP bastou para mostrar que duas guitarras chegam para criar paisagens que nos enchem a alma. Banda sonora perfeita para filmes imaginários. Sons repletos de alguma festa e nostalgia, em doses certas. Inevitavelmente, 2016 tem de trazer o palco a este duo, para que a sua música ganhe novos trilhos.

Ghost Hunt :: 2015 foi o ano de se mostrarem em palco. Grandes concertos, que chamaram a atenção de todos. A base é electrónica. Misturam depois muito krautrock e uns cheirinhos de pós rock e psicadélico.  Em palco tudo é manipulado em directo sem ajuda de computadores. Até dá gosto ver. Agora, espera-se um disco, que os leve mundo fora, pelos mais importantes palcos e festivais. O Pedro e o Pedro merecem isto e muito mais!

Inês Salpico :: Radicada em Londres, Inês continua a ter a sua alma em terras lusas. A sua pop transpira saudade. Falou-se dela nos Novos Talentos Fnac 2015. Ficou a ponta do véu levantada. Agora sabe-se que o disco está para chegar. E este som, com alma, tem tudo para conquistar Londres e o mundo. Mesmo que cantado na língua de Camões.

Janeiro :: Henrique Janeiro é um diamante ainda por lapidar mas que deixa antever um futuro brilhante. Passou por palcos importantes em 2015, com um ep de estreia onde se nota um compositor com personalidade própria apesar de referências diversas a alguns dos grandes compositores nacionais.

Luís Severo :: Antes conhecido como O Cão da Morte e com colaborações e participações com outros músicos, aparece em 2015 com novo nome, nova sonoridade no disco editado pela Gentle Records e consegue figurar em algumas listas de melhores do ano entre diversos artistas consagrados. Esperamos que neste novo ano chegue ao grande público.

Madame Luci :: Nascem em 2012, mas tornam-se mais notados na segunda metade de 2015. Nuno Canina e Nuno Lacerda foram os primeiros na formação deste quarteto que tem ep de estreia marcado para o início deste novo ano. “Embuste” é o tema que conhecemos e deixa-nos curiosos quanto ao que aí vem.

 por Fausto da Silva e Nuno Ávila

 

artigo editado por Francisco Monteiro

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