9/12/15

RUC @ Thundercat | Locomotiv Club [BGN] | 05.12.2015

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O que dizer de um concerto de Thundercat? E o que esperar de alguém que é um baixista incrível, acompanhado por dois grandes músicos (nas teclas e na bateria), dono de uma voz irrepreensível que se segura confortavelmente em notas mais altas sem falhar? Para quem acompanha o seu percurso Thundercat é um nome grande no meio de muitas colaborações e produções que veio a Bolonha apresentar o seu mais recente The Beyond/Where The Giants Roam, lançado este ano pela Brainfeeder – um trabalho mais introspectivo que os dois anteriores, nascido entre as colaborações em que participou para Flying Lotus (Your´re Dead!) e Kamasi Washigton (The Epic).

Foi mesmo com uma alusão a este novo projecto que o concerto se iniciou, depois de uma entrada discreta no palco dos três músicos ainda para resolver alguns problemas com os instrumentos, e Hard Times apresentou-se como tema de abertura. Como seria de esperar de um novo álbum de apenas 16 minutos no total, foi obrigatória uma incursão aos dois primeiros trabalhos, pelo que se resgataram temas como Tron Song, Heartbreaks + Setbacks, Walkin´, Evangelion, Lotus and The Jondy e Oh Sheit, It´s X!; para além de Where The Giants Roam/Field of Nephilium e Them Changes do álbum de 2015.  E é estranho pensar que um alinhamento que incluiu grande parte dos temas mais conhecidos da carreira de Stephen Bruner não fez a assistência do Locomotiv Club, que ainda que não esgotado estava bem composto, dançar com força ou, pelo menos, demonstrar grande ânimo com o concerto.

Sem grande interacção verbal com o público, Thundercat sempre deu ares da sua graça ao pousar para fotos ou a sorrir para os (poucos) que lhe gritavam alguma coisa e para aqueles que demonstravam alguma alegria em ali estar. Depois de uma luta, assumida, em Walkin´ e em Evagelion (onde se esqueceu de parte da letra) seguiu-se Lotus and The Jondy. Recebida com pouco entusiasmo, levou o artista a desabafar que não faria grande diferença o que tocasse a seguir, tal a apatia da assistência que só reagiu aos temas mais óbvios: o single do último trabalho, Them Changes, eSheit, It´s X! – uma das músicas mais conhecidos de Thundercat a solo.

Contudo, temos que admitir que é difícil errar quando se ouve uma versão de Complexion de Kendrick Lamar, que foi produzida pelo próprio Thundercat para o To Pimp a Butterfly de Kendrick, ali reproduzida sem qualquer desmérito para a original. Com certeza todos os elementos estavam lá para que este fosse um concerto que poderia não ser apenas bom, mas memorável: várias das músicas tocadas foram alongadas por partes instrumentais onde as luzes quase se apagavam por completo para dar protagonismo aos três músicos em palco na mesma escala e evidenciando o talento de cada um; pudemos assistir também a momentos em que o Thundercat cantor sobressaía, de olhos fechados a sentir todas as palavras ditas, mesmo à maneira de um bom intérprete soul.

O público pareceu redimir-se pelo final quando pediu com alguma vontade pelo encore, que veio na forma de Is It Love? e assim finalizou uma noite, que apesar de alguns pontos menos positivos mostrou que ali estava um senhor músico em palco (apesar de nos seus jovens 31 anos de idade).

Esta passagem por Itália não foi isolada, Thundercat encontra-se também pelo Jazz Re Found Festival de Turim, numa edição onde se evidencia ao lado de nomes como Roy Ayers, Moodyman e Theo Parrish.

Texto de Camila Fizarreta

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