CURSO DE INFORMAÇÃO

Faz todo o sentido empregar o conceito “Rádio-Escola” ao processo de aprendizagem que antecede a prática do Jornalismo Radiofónico no contexto dos 107.9. Anualmente, os cursos de informação trazem à rádio uma ou duas lufadas de ar fresco. A quem procura a nossa formação não é apresentado um rol de condições de ingresso ou um elenco de requisitos que deve cumprir. Ela é aberta a todos, aos que já descobriram uma paixão pelas ondas hertzianas e aos dispostos a fazer tal descoberta, tenham ou não os ouvidos semi-fechados e o pânico do microfone. Embora não exista um “padrão” relativamente à pessoa que procura a RUC há, por outro lado, características que a RUC procura nessa pessoa: vontade, determinação e potencial comunicativo no estabelecimento de relações com os outros e com o meio. Independentemente do número de candidatos inscritos, a selecção abrange uma média de 20 elementos para cada acção de formação, garantindo assim um acompanhamento individual onde cada um tem oportunidade de se descobrir, radiofonicamente falando. O processo de selecção é inaugurado com uma prova de cultura geral. O objectivo é avaliar o conhecimento que o sujeito tem da realidade envolvente, ou seja, se acompanha a actualidade.

Num segundo momento, uma conversa informal é pretexto para conhecer melhor cada indivíduo, em função do que tem para oferecer à rádio e do que espera que a rádio lhe ofereça. Depois desta triagem é finalmente escolhida a equipa que vai receber formação. Em 2002, essa tarefa esteva a cargo do Cenjor, Centro Protocolar de Formação de Jornalistas, mas por tradição foi sempre entregue a profissionais que por aqui passaram e conhecem bem os cantos à casa. Tendo a situação mais recente como referência, a formação é partida em módulos, num total de 60 horas, em que são fornecidas aos formandos “luzes” ou noções básicas sobre técnica, escrita… Depois de uma entrada sorrateira nos meandros da rádio, os formandos fazem a primeira incursão real no ambiente, onde simulam situações de trabalho que envolvem variados estilos radiofónicos como directos, entrevistas, em verdadeiro contra-relógio. Percorridos os primeiros quilómetros da maratona formativa, chega o dia da passagem para a redacção, onde entram como estagiários, condição que os vai acompanhar durante alguns meses. Enquanto “estagiários” assumem o compromisso de realizar um trabalho semanal que engloba “peças” para noticiários, reportagens, programas da manhã e acompanhamento de espaços informativos, a fim de descobrir áreas e modelos de interesse que no futuro podem representar a inclusão numa equipa de trabalho ou mesmo numa “pasta” temática…

Mas o mais importante, sem dúvida, é o conhecimento da dinâmica do departamento de informação, desde o esqueleto ao produto final que passa em antena, tenha ele 1 minuto ou uma hora. O que vai para o ar engloba peças, crónicas, reportagens, directos, entrevistas, emissões especiais… e tudo isso tem o tamanho da vontade de cada um de fazer, dizer, estar lá. A partir do momento em que se faz parte desta equipa, passa-se a assumir uma responsabilidade social que é, simultaneamente, um poder: informar. Embora seja nosso dever adoptar a designação “públicos” e não “público” há inevitavelmente uma noção de quem está do outro lado. E há muito tempo que esse “quem” deixou de ser a Universidade e é cada vez mais a cidade. Daí que numa tentativa de responder a pessoas/interesses diferentes se procurem também um leque alargado de profissionais. A procura passa ao lado de “limitações” como sotaques regionais ou experiências de vida. A nossa aposta assenta na diversidade e, claro está, no rigor, como verdadeiros profissionais amadores que somos.

Dentro da rádio, os elementos do departamento de informação são conhecidos por serem “stressados”, perceberem pouco ou nada de música e representarem um verdadeiro perigo quando postos em contacto com material técnico… Elogios sempre bem vindos, até porque, em boa verdade, o que se espera de quem bate à nossa porta é isso (inevitável destino!) mas é mais. Fica por isso o anúncio: Estudantes, sem idade ou sexo, distraídos, curiosos e críticos… PROCURAM-SE! Como recompensa, comprometemo-nos a fazer todos os esforços para os ajudar a construir uma capacidade única: a de transformar ruídos, sons e silêncios em qualquer coisa de palpável ao ouvido.

A RUC é a única rádio-escola em Portugal e abre, anualmente, cursos em Outubro/Novembro. As inscrições realizam-se na secretaria.

 

 

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