A Rádio Universidade de Coimbra é, desde o seu início, uma das únicas escolas de rádio em Portugal. Como tal, promovemos cursos nas áreas de locução/realização, informação e técnica de radiodifusão.

Os interessados devem dirigir-se à Secretaria da RUC para efectuarem a sua inscrição na Base de Dados. Logo que se inicie o curso pretendido, os inscritos serão notificados para comparecer às respectivas entrevistas. Esta regra é permanentemente válida.

Os cursos têm geralmente início nos meses de Outubro/Novembro de cada ano. Podem, excepcionalmente, ser leccionados noutras alturas. Ocasionalmente, a RUC organiza ainda alguns workshops de rádio.

 


Curso de Locução/Realização

O Curso de Locução/Realização, dirigido essencialmente a amantes de música, pretende, antes de mais, preparar novas pessoas para essa nobre tarefa que é dar voz e conteúdos a futuros programas (especialmente os dedicados à música) da Rádio Universidade de Coimbra...

Sendo considerada uma rádio ímpar no panorama radiofónico nacional, quer pelos seus elementos (estudantes a "trabalhar por amor à camisola"), quer pelos seus programas e eventos - a RUC é reconhecidamente uma rádio onde se divulgam figuras e músicas que em poucos lados se fazem ouvir ou se dão a conhecer... Em suma, é uma verdadeira rádio alternativa - da house ao punk, do reggae ao funk, da música do Mali às Adufeiras de Monsanto - que para seguir o seu trajecto e o seu projecto, precisa de novos elementos todos os anos. Para que tal seja conseguido há que fazer uma selecção de pessoas que se enquadrem naquilo que a RUC é e no que ela quer ser, e por isso todos os anos dezenas de pessoas se inscrevem para entrevistas que antecedem o curso e que servem para seleccionar pessoas (normalmente cerca de 20) que possam continuar este projecto com qualidade e dedicação.

Passada a fase de selecção segue-se então o curso, com aulas que incidem principalmente na prática. Este serve para preparar pessoas para a realização de programas essencialmente ligados à música, mas também para programas de outro teor (conversa, debate, humor, destaques culturais, etc).

Assim sendo, estas pessoas terão que ser avaliadas - com uma formação adequada e dada por elementos da RUC - em várias vertentes: voz (tom, colocação e fluir de discurso), conhecimentos e interesse musical, espírito de iniciativa, dedicação, criatividade, etc. Este curso estende-se por várias semanas, onde se aprenderão vários conteúdos: colocar a voz e técnicas de respiração; noções de "pistagem" e "passagem de música"; técnicas relativas à mesa de mistura e outro material técnico; aprender a fazer spots publicitários e jingles ou indicativos de estação (aprendendo o que isto é); trabalhar com cd, vinil e mini-disc; aprender a fazer remisturas*, etc. Para que isto se consiga, os formandos poderão (e terão de) trabalhar num verdadeiro estúdio de rádio, preparando programas fictícios que mais tarde poderão até vir a "passar no ar".

Depois deste curso segue-se uma nova selecção para se escolherem as pessoas que se encontrem preparadas para um estágio, constantemente avaliado e com o acompanhamento necessário, e que normalmente se estende por não mais de 6 meses, onde serão responsáveis pela realização de entrevistas (a músicos e não só), spots publicitários, "peças" (espaços de cerca de 10 m com temas específicos) com direito a "air-play" e, finalmente, realização de programas já existentes. Depois deste estágio poderão vir a ser sócios da RUC, com direito a apresentar programas próprios, a influenciar o dia-a-dia da Rádio - com o seu trabalho e novas ideias - e a usufruir de algumas regalias próprias de um elemento da comunicação social, desde assistir gratuitamente a concertos e outros eventos culturais, a poder entrevistar e conhecer pessoas que outrora não passavam de um poster na parede...

A possibilidade de conhecer e fazer parte do mundo radiofónico com forte ligação ao mundo da música e da comunicação social, bem como o contacto com a produção e organização de eventos, tornam ainda mais aliciante o Curso de Realização/Locução da Ruc - o único curso do género conhecido no país e com repercussões (muitas vezes) na vida profissional e futura dos que por cá passam. Basta ver televisão, ler jornais ou ouvir outras rádios: a RUC também lá está, através de antigos e presentes "RUCianos"...

* - Mentira, é só para aliciar...

 

Curso de Informação

Faz todo o sentido empregar o conceito "Rádio-Escola" ao processo de aprendizagem que antecede a prática do Jornalismo Radiofónico no contexto dos 107.9. Anualmente, os cursos de informação trazem à rádio uma ou duas lufadas de ar fresco. A quem procura a nossa formação não é apresentado um rol de condições de ingresso ou um elenco de requisitos que deve cumprir. Ela é aberta a todos, aos que já descobriram uma paixão pelas ondas hertzianas e aos dispostos a fazer tal descoberta, tenham ou não os ouvidos semi-fechados e o pânico do microfone. Embora não exista um "padrão" relativamente à pessoa que procura a RUC há, por outro lado, características que a RUC procura nessa pessoa: vontade, determinação e potencial comunicativo no estabelecimento de relações com os outros e com o meio. Independentemente do número de candidatos inscritos, a selecção abrange uma média de 20 elementos para cada acção de formação, garantindo assim um acompanhamento individual onde cada um tem oportunidade de se descobrir, radiofonicamente falando. O processo de selecção é inaugurado com uma prova de cultura geral. O objectivo é avaliar o conhecimento que o sujeito tem da realidade envolvente, ou seja, se acompanha a actualidade.

Num segundo momento, uma conversa informal é pretexto para conhecer melhor cada indivíduo, em função do que tem para oferecer à rádio e do que espera que a rádio lhe ofereça. Depois desta triagem é finalmente escolhida a equipa que vai receber formação. Em 2002, essa tarefa esteva a cargo do Cenjor, Centro Protocolar de Formação de Jornalistas, mas por tradição foi sempre entregue a profissionais que por aqui passaram e conhecem bem os cantos à casa. Tendo a situação mais recente como referência, a formação é partida em módulos, num total de 60 horas, em que são fornecidas aos formandos "luzes" ou noções básicas sobre técnica, escrita... Depois de uma entrada sorrateira nos meandros da rádio, os formandos fazem a primeira incursão real no ambiente, onde simulam situações de trabalho que envolvem variados estilos radiofónicos como directos, entrevistas, em verdadeiro contra-relógio. Percorridos os primeiros quilómetros da maratona formativa, chega o dia da passagem para a redacção, onde entram como estagiários, condição que os vai acompanhar durante alguns meses. Enquanto "estagiários" assumem o compromisso de realizar um trabalho semanal que engloba "peças" para noticiários, reportagens, programas da manhã e acompanhamento de espaços informativos, a fim de descobrir áreas e modelos de interesse que no futuro podem representar a inclusão numa equipa de trabalho ou mesmo numa "pasta" temática...

Mas o mais importante, sem dúvida, é o conhecimento da dinâmica do departamento de informação, desde o esqueleto ao produto final que passa em antena, tenha ele 1 minuto ou uma hora. O que vai para o ar engloba peças, crónicas, reportagens, directos, entrevistas, emissões especiais... e tudo isso tem o tamanho da vontade de cada um de fazer, dizer, estar lá. A partir do momento em que se faz parte desta equipa, passa-se a assumir uma responsabilidade social que é, simultaneamente, um poder: informar. Embora seja nosso dever adoptar a designação "públicos" e não "público" há inevitavelmente uma noção de quem está do outro lado. E há muito tempo que esse "quem" deixou de ser a Universidade e é cada vez mais a cidade. Daí que numa tentativa de responder a pessoas/interesses diferentes se procurem também um leque alargado de profissionais. A procura passa ao lado de "limitações" como sotaques regionais ou experiências de vida. A nossa aposta assenta na diversidade e, claro está, no rigor, como verdadeiros profissionais amadores que somos.

Dentro da rádio, os elementos do departamento de informação são conhecidos por serem "stressados", perceberem pouco ou nada de música e representarem um verdadeiro perigo quando postos em contacto com material técnico... Elogios sempre bem vindos, até porque, em boa verdade, o que se espera de quem bate à nossa porta é isso (inevitável destino!) mas é mais. Fica por isso o anúncio: Estudantes, sem idade ou sexo, distraídos, curiosos e críticos... PROCURAM-SE! Como recompensa, comprometemo-nos a fazer todos os esforços para os ajudar a construir uma capacidade única: a de transformar ruídos, sons e silêncios em qualquer coisa de palpável ao ouvido.

 

Curso de Técnica de Radiodifusão

Todos os anos, a RUC lecciona um curso de técnica de radiodifusão que garante o renovamento da sua equipa técnica. O curso destina-se a todos aqueles que têm gosto pelo mundo do som e vontade para aceitar a responsabilidade que é pertencer à equipa que garante as 24 horas diárias de emissão da Rádio Universidade de Coimbra.

O curso começa, antes de mais, com os primeiros conceitos:

- o que é o som (vibrações vs. sinais eléctricos, sinais analógicos vs. digitais);
- tensão, corrente, dB's, frequência. Fm., Am., o que é o estéreo;
- amplificadores: RIAA, mic, pré-amplificadores e amplificadores de potência;
- microfones (alimentação, ganho, usos, tipos de captação de som);
- balanceamento de sinal, cabo estéreo e balanceado;
- acústica de salas.

Depois da introdução ao tema, parte-se então para a panóplia de equipamento que compõe o dia-a-dia da rádio. Deck, revox, prato, CD, DAT, MD, e telefone são os primeiros temas de uma série de aulas teóricas e práticas. É nesta altura que as várias mesas de mistura entram em cena. São focadas as ligações, o rack, as vias mono e estéreo, as saídas gerais, os auxiliares, a equalização, a selecção de saída, PAD, RIAA, e ganhos, e ainda as diferenças entre as várias mesas de mistura. A prática de mesa serve para treinar o aluno a enviar, manipular, e receber sons de/para todos os equipamentos. É dado ainda destaque ao funcionamento do telefone híbrido. Numa rádio em movimento há também que conhecer todo o material de exteriores que a RUC usa nos relatos da Briosa, Queima das Fitas, Latada, Serenatas, Assembleias Magnas, debates, entrevistas, concertos, e emissões especiais. A principal atenção recai sobre o protocolo RDIS usado.

O trabalho mais emocionante começa com a introdução ao software de engenharia de som - funções, sinais no tempo e na frequência, equalizações, modificações de frequência, gravação de sons, colagem, manipulação. É nesta fase que o aluno aprende a elaborar RMs e peças básicas, que podem ser peças de informação, spots, jingles, sinais horários, indicativos de programa ou de estação. Na recta final, o destaque vai o software de gestão da emissão, o ADR - Automatismo de Emissão.

Trata-se de um curso abrangente, que, ao longo de seis meses, consegue fazer a ligação entre os primeiros conceitos e a última tecnologia. Vão sendo feitos exames teóricos e práticos durante os vários módulos, e, no fim, um exame final determina se o aluno está apto a iniciar o seu estágio de técnico. Esta avaliação final é feita com base na prestação face a várias situações práticas, e ainda na apresentação de uma peça de produção (normalmente, um jingle de estação). Durante o estágio, o tutor é um dos técnicos da RUC, que partilha com o aluno o seu horário semanal (de informação ou produção). Ao fim de cerca de cinco meses de estágio, o estagiário está familiarizado com o universo RUC e pronto a ser integrado nesta grande família.

 


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