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RUC @ Yves Tumor + Buss Dem Head | BoCA Bienal / Lux Frágil | 06.04.2016

Verdadeiro happening na cultura nacional, a BoCA – Bienal de Arte Contemporânea, procura agregar o que de mais entusiasmante se tem feito no contexto da arte contemporânea global, nunca olvidando, todavia, o contexto politico, cultural e artístico português. Algo que também se encontra patente nos espaços onde se apresentam os trabalhos em causa, quer no âmbito das artes visuais, performance, artes cénicas, e música – do verdadeiro espaço público, passando por galerias, teatros e clubes nocturnos, a BoCA traça um mapa de espaços que se assumem como agentes culturais e transformacionais, tanto na cidade de Lisboa e Porto como globalmente no âmbito artístico português.

Paradigmático espaço do clubbing nacional, o Lux-Frágil recebeu na passada quinta-feira a performance Buss Dem Head e o concerto de Yves Tumor – um espaço que não é, de todo, estranho à BoCA, uma vez que o Bar acolhe uma instalação vídeo de Tianzhuo Chen e o piso da discoteca foi palco da performance de abertura da Bienal.
Longe do grotesco que povoou a performance de abertura, Buss Dem Head surpreendeu ao colocar em diálogo linguagens aparentemente tão díspares como o Dancehall, Kuduro e Afro-House – agitadores-natos, Damion BG Dancerz e Cecilia Bengolea incendiaram o bar com as composições de Nigga Fox que traçou uma interessante viagem pela sua carreira, com destaque para as suas últimas explorações sonoras, perto da linhagem sonora de Rabit, Fatima Al Qadir, Chino Amobi e Elysia Crampton.

Sórdida, violenta, imprevisível e surpreendente – não existem qualificativos suficientes para classificar a monstruosa performance de Yves Tumor, músico norte-americano que já assinou como TEAMS ou Bodyguard, em colaboração com James Ferraro. Longe do registo que nos tem habituado em álbum – em que, primordialmente, acaba por percorrer caminhos noise, ambient, muzak, music concrete e soul através de técnicas de sample – Tumor apresentou-se numa discoteca escura, povoada por incessantes strobe-lights e de costas voltadas para o público. Em certos momentos remeteu-nos para a distância de Dean Blunt, noutros para o grotesco som de Alejando Ghersi / Arca. Sem discurso politico e numa linha claramente de improviso, Yves Tumor ofereceu uma torrente de graves envoltos em drone entrecortados por linhas trance, drops incessantes e transtornados murmúrios e berros, numa experiência em que a violência sonora depressa se fundiu com a violência física resultante da comunhão deste com a plateia. Acima de tudo uma experiência – e os corpos atordoados que arrastavam no final da performance assim o comprovavam.

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Texto de Miguel Marques

Locução de Diogo Resende

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