27/03/17

RUC @ Lisbon Dance Festival ’17

Lisboa Dance Festival 2017

Nos dias 10 e 11 de fevereiro, o LX Factory, em Alcântara, recebeu a muito aguardada segunda edição do Lisboa Dance Festival. Cada vez mais, o festival parece querer afirmar-se como uma paragem obrigatória para quem quer ouvir música ao vivo em Portugal. A Rádio Universidade de Coimbra esteve presente e conta aqui o que se pode ver ouvir.

Nos dois dias de festival, foi na música que as atenções se concentraram, contudo, em simultâneo, o cartaz deste ano reservou tempo e espaço para debates, conferências, masterclasses e também um mercado. Para os que mais se interessam pela música ou simplesmente para os curiosos, as aulas de djing, masterização ou sampling foram um adorno mais que simpático no cartaz deste ano. Num fim de semana de inverno, onde o sol e o calor estiveram sempre presentes, adivinhava-se uma edição promissora para o festival.

Dia 10

No primeiro dia, calhou à canadiana Jessy Lanza abrir o apetite do público que aparecia cedo para perceber o que ia acontecer. A artista descolou os primeiros pés da pista e a sua estreia em Portugal pode não ter sido memorável mas foi bem recebida por quem ali parou. Estavam feitas as apresentações entre o o público e o LDF 2017. Na sala Zoot, a curadoria esteve a cargo de Moullinex que nos presenteou com um set de oito horas. Para quem quis passear pelo recinto, ou experimentar outros sons, a oferta foi constante e para todos os gostos. Dekmantel Soundsystem trouxe as batidas 4 por 4 consigo. Noite dentro, o house foi-se transformando em techno ao mesmo tempo que a fábrica enchia e a temperatura da sala subia. O aparecimento de Marcel Dettmann por detrás da cabine principal não podia ser mais adiada e, das duas às quatro da manhã, o alemão fez jus ao nome e deixou o público vidrado. A primeira noite terminava e o balanço parecia ser bom; amanhã voltaríamos para mais uma dose de música eletrónica.

Dia 11

O segundo dia, como se adivinhava, atraiu uma maior enchente de gente. Os nomes de peso não passaram despercebidos e, pela meia noite (antes de Hunee entrar em cena) a casa estava cheia.

Para arrancar o line-up, o Lisboa Dance Festival presenteou-nos este ano com Mount Kimbie que regressaram a Portugal passado três anos. A sua atuação conseguiu ser intimista apesar da enorme dimensão da Fábrica XL. Um bom começo que se seguiu pelo coletivo Hercules & Love Affair. A experiência vale sempre de alguma coisa, como se pode constatar aqui; as pessoas vieram para os ouvir e o grupo veio para as pessoas. Entre o house e o techno, a banda tocou também temas inéditos ao vivo.

O que se seguiu foi, sem sombra de dúvidas, o auge da edição deste ano. Hunee subiu ao palco com um sorriso nervoso na cara. O nervosismo, porém, passou imediatamente quando as primeiras batidas se fizeram ouvir. Não passavam ainda cinco minutos e já a fábrica vibrava com a energia incrível que se fazia sentir. Foram duas horas preenchidas por um set sublime que fez as pessoas adiar a ida ao bar ou à casa de banho. Sabendo quem se seguiria no palco, Hunee não teve medo de se aventurar por sons mais pesados. Às duas horas da manhã, as palmas e assobios faziam os agradecimentos dos corpos cansados de mexer. Para o produtor inglês George Fitzgerald, a tarefa de superar o que se tinha passado não era fácil, contudo, ninguém ficou desapontado com o espetáculo que terminava a segunda edição deste festival.

Domingo foi dia de reflexão. Os pés cansados tinham dado tudo, o Lisboa Dance (quase) tudo. Sem dúvida que esta edição valeu a pena para quem esteve no LX Factory, contudo, os pontos fracos são fáceis de apontar. Para quem comprou os early birds disponibilizados ainda em 2016 (25€ pelo passe geral) o investimento foi sem dúvida alguma compensado. Para os que se atrasaram a decidir, os bilhetes comprados na véspera podiam ser um pouco impeditivos. Não podemos também deixar de referir que é inconcebível que um festival que pretende trazer a música eletrónica às pessoas, baixe tanto o som nas atuações, que se torna irritante o quão bem conseguimos ouvir as pessoas a falar à nossa volta. Podemos falar também dos horários. Entende-se que as portas fechem às quatro horas da manhã, mas a falta de oferta musical para quem quer continuar a noite parece ser uma falha óbvia. Ao contrário do anos passado, os afters foram deixados de parte. Pelo recinto ouvia-se dizer “E agora, vamos para o Lux?”

No final, nem tudo é mau e, feitas as contas, o balanço é positivo. A organização trouxe ainda outra novidade desejada. O The Dorm, dormitório oficial do festival foi uma adição simpática para aqueles que tiveram que viajar até Lisboa ou que não conseguiram arranjar alojamento.

Foi assim o segundo olhar 360º sob a música eletrónica no LX Factory. Para o ano certamente estaremos de regresso para uma terceira edição que esperamos superar o trabalho feito até aqui.

Reportagem de Nuno Pires e Pedro Bicá

3
14
01
0
GMT
GMT
+0000
2017-06-28T14:01:13+00:00
Wed, 28 Jun 2017 14:01:13 +0000