12/06/16

RUC @ NOS Primavera Sound 2016: Dia 3

2º dia _ NOS PRIMAVERA SOUND 2016 #nosprimaverasound _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography

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O calor assolava o Palco ponto quando a galesa Cate le Bon entrou em cena. O País de Gales perdia 1-0 contra a Eslováquia. Quando o concerto acabou a região britânica ganhava com duas bolas a uma. E foi sempre a vencer que a recém instalada esteve em palco. Se a comparação com Nico não a deixa descansar, a verdade é que mais que a frágil voz da escandinava estiveram presentes as incursões psicadélicas dos Velvet Underground, misturando-se com o brit pop que a deu à luz e umas luzes folk em histórias que se iam perdendo nas melodias. Depois de uma colaboração com os White Fence, no projecto DRINKS, Cate Le Bon e sua banda apresentam-se com força e solidez, competentes, a trabalhar um bonito fim de tarde. 

Foi também ao Palco ponto que coube receber os californianos Autolux. Mantendo um som entre o no wave e o pós punk, com uns laivos electrónicos e pop, apresentaram Pussy’s Dead, o disco com que voltaram à carga. A verdade é que os seis anos de descanso não estragaram a banda de Carla Azar e Eugene Goreshter, que regressam com um concerto intenso, de grande comunicação com o público e pouco espaço para manter os corpos parados.

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BATTLES
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Quem regressou em força ao Porto foram os Battles, depois de um concerto memorável na Casa da Música em 2011. O trio formado Ian Williams, John Stanier e Dave Konopka é expert em dominar palcos, e este Primavera não foi excepção. Na bagagem traziam La Di Da Di, que ocupou grande parte do concerto, em constante compressão e descompressão, a marca-passo pela bateria de Stanier. Com o crash bem acima do esperado, é ele que entra glorioso e sob aplausos, por baixo de uma já esquizofrenia eléctrica de guitarras e sintetizadores. Não muito depois ouve-se a voz de Matias Aguayo a dar o mote de “Ice Cream”. Já “Atlas” continua a ser uma das melhores músicas para alguma vez ver ao vivo, num êxtase contínuo e crescente que parece que nunca parará e que nos vai destruindo aos poucos e poucos até explodir em pleno.

Sem explosões e grandes êxtases estiveram os Air. Num longo concerto de 1h30 divagaram num sonho pop, levado devagar por entre sintetizadores e o embalo do baixo, sem espaço para grandes surpresas ou improvisos. Revisitando clássicos desde “Cherry Blossom Girl” a “Playground Love” (sem vozes e saxofone), num exercício de perfeccionismo instrumental, conduziram um público meio adormecido pela sua fantasia delicada. Só no final do concerto abriram espaço à dança e lançaram-se em pleno a Moon Safari, com “Kelly Watch the Stars” e “Sexy Boy”. A terminar “Femme d’Argent” trouxe por fim uns Air inventivos, numa desconstrução delirante recheada de sintetizadores em galope e um baixo incansável.

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AIR
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Com um nenuco na mão, imagem da personagem que trabalha em palco, Ty Segall entrava triunfal em palco, perante um Palco. bem repleto. Um dos nomes mais esperados do festival voltava ao parque da cidade acompanhado pelos Muggers, com King Tuff e Mikal Cronin incluídos. Sem dar tréguas, numa violência crescente, revisitaram todo o Emotional Mugger, com passagem ainda por Manipulator e terminando com uma versão de “L.A. Woman”. Pelo meio houve espaço para crowdsurfings contínuos, mosh pits incansáveis e mesmo desacatos entre o próprio Ty Segall e os seguranças (“Where have you learned to do your job? Are you crazy?). O melhor palco do Primavera encerrava a sua quinta edição com chave de ouro, numa imensa celebração rock.

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TY SEGALL
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Entretanto o Palco NOS encerrava também as festividades, com os Moderat. O trio berlinense que junta os Modeselektor a Apparat teve direito a quase 2h de concerto, transformando a colina relvada num gigantesco club ao ar livre. Num espectáculo de forte tendência electrónica, felizmente limitando a presença da voz de Sasha Ring ao essencial, e com momentos bastante fortes a elevar os ânimos dos milhares que assistiam. O seu recém editado III esteve bem presente, num concerto onde os primeiros dois discos não foram esquecidos e a apoteose se deu, como expectável, com “Bad Kingdom” – “Do you know this song?” perguntavam eles fazendo soar o primeiro laivo electrónico de um dos grandes temas dos últimos anos. As luzes e projecções complementavam na perfeição o ambiente criado em palco, num contraste branco e negro ou em grandes monocromatismos vermelhos e laranja, com ocasionais passagens pelas ilustrações que nestes anos povoaram o imaginário dos Moderat. Terminaram com um dos melhores momentos de II – Versions – embalando para mais, como se a festa estivesse ainda para durar

Depois da vénia final, sob gigantesco aplauso, os ecrãs anunciam – a festa continua no próximo ano, de 8 a 10 de Junho. Lá estaremos.

Texto de Guilherme Queiroz

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