29/04/15

RUC @ EMICIDA | Casa da Música| 22.04.2015

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Boa noite p´ra nóiz”, foi a saudação que abriu o concerto de Emicida na Casa da Música, no passado dia 22 de abril; concerto esse inaugural da tour europeia que seguiu para Lisboa e logo depois para Londres.

Sem grandes demoras, a música Cacariacô desfilou com o início do alinhamento, uma faixa mais “calminha para abençoar” este concerto com uma audiência que não enchia meia sala, mas que recebeu o rapper com um entusiasmo tal que preencheu todos os espaços vazios.

Logo depois ouviu-se E.M.I.C.I.D.A, uma alusão à primeira mixtape de 2009, Para Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe …, o lugar onde Leandro Roque de Oliveira pode, e pela primeira vez, expressar este seu alterego para lá das ruas de São Paulo e das batalhas de rimas em Santa Cruz. Foi para essas batalhas que adotou o seu nome artístico, uma fusão e MC com homicida, como exemplo da forma determinante com que ganhava aos seus adversários, e que depois evoluiu para Enquanto Minha Imaginação Compor Insanidades Domino a Arte (EMICIDA). E é este o nome que ainda hoje carrega e cujo impacto também se pode medir pela receção de Bang – a primeira faixa do seu último trabalho de estúdio que serviu de mote a este concerto: O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui de 2013 – que foi cantada pelos espectadores do inicio ao fim como se de um êxito de verão se tratasse.

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Do álbum de 2013 foram desfilando outras músicas como Levanta e Anda, Zoião, Hoje Cedo, que pontualmente iam sendo intercaladas com as lembranças de canções mais antigas como Triunfo – o primeiro single lançado em 2008 – mas que agora é apresentada com uma roupagem nova.

Para este concerto no Porto, Emicida convidou Capicua e os Dealema, que ao jogarem em casa, introduziram repertório seu ao concerto com a participação do rapper brasileiro: ouviu-se Medo do Medo de Capicua e Comportamentos Bizarros dos Dealema (faixa que já contava originalmente com a participaçao de Emicida). Com Capicua, Emicida foi ainda resgatar Rua Augusta, da segunda mixtape, Emicídio, de 2010. A alusão a este segundo trabalho foi também feita em Eu Gosto Dela e às tantas pudemos ouvi-lo a sair do seu registo habitual, disse que para matar as saudades de casa, ao interpretar Marinheiro Só, uma das músicas que imortalizou Clementina de Jesus como nome grande do samba carioca.

O Glorioso Retorno continuou a ser cantado pelo rapper e pelo público em Trepadeira, Ubuntu e Nóiz, que sucedeu ao único apontamento do EP de 2011 Doozicabraba e a Revolução Silenciosa, com a faixa Zica, Vai Lá.Para o Final ficou guardada Rinha (Já Ouviu Falar?) que encerrou um concerto sem encore, mas que encheu as medidas a quem lá estava e mostrou porque mesmo antes de fazer trinta anos Emicida é uma das vozes mais importantes do rap e do hip-hop no Brasil atual. Cantando a favela (onde nasceu),denunciado os problemas sociais que afetam a sua comunidade, mas também a sua geração, ele vai crescendo ao lado de nomes como Criolo e mostra porque a sua música saiu das ruas de São Paulo para um cenário cada vez mais global.

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– Camila Fizarreta –

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